WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Haddad quer avenidas a 50 km/h em dezembro; ruas terão limite de 40

Em todas as vias arteriais da capital, com exceção de trechos da 23 de Maio e da Marginal, motoristas terão de trafegar no mesmo limite dos ônibus nas faixas exclusivas; as chamadas vias coletoras, como a Teodoro Sampaio, sofrerão maior redução

Juliana Diógenes e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 17h53

Atualizada às 23h19

Após reduzir a velocidade nas Marginais do Pinheiros e do Tietê, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), confirmou nesta segunda-feira, 10, que até dezembro vai padronizar a velocidade máxima de 50 km/h em todas as avenidas da capital, ou seja, as vias arteriais que fazem ligações entre bairros, têm semáforos e dão acessos a ruas secundárias. Motoristas passarão a trafegar com o mesmo limite dos ônibus nas faixas exclusivas. As vias que permitem o acesso e a saída das arteriais, as ruas coletoras, deverão cair de 50 km/h para 40 km/h.

Há três anos, entre 2011 e 2012, o limite das vias arteriais já havia sido ajustado de 70 km/h para 60 km/h. Segundo o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) está agora montando a estratégia para concluir o padrão de 50 km/h na cidade. 

A possibilidade de limitar a velocidade em todas as vias foi levantada no mês passado e confirmada ontem. “Tudo termina até dezembro”, afirmou Haddad, referindo-se à redução em todas as ruas. A medida faz parte de um plano da Prefeitura para diminuir o número de atropelamentos e mortes nas vias.

Presente na mesma coletiva de imprensa, Tatto reforçou a declaração de Haddad, afirmando que a CET tem a “missão” de terminar a redução das velocidades até o fim do ano. “E (os técnicos) já começaram. Fizeram no Minhocão, na Sena Madureira. Eles estão fazendo. (A CET) não precisa nem nos avisar. Vai só fazendo”, afirmou.

A atual velocidade máxima na Avenida Faria Lima, em Pinheiros, zona oeste da capital, é de 60 km/h. Cairá para 50km/h. Uma das mais importantes ligações entre a região central e a zona sul da cidade, a Avenida Santo Amaro, também será padronizada a 50 km/h. 

Hoje, com limite de 70km/h, o Corredor Norte-Sul também terá a velocidade reduzida para 50 km/h. Segundo o secretário de Transportes, somente o trecho da Avenida Bandeirantes até a Praça da Bandeira terá limite de 60km/h.

As exceções são as Marginais (pistas centrais e expressas) e a própria Avenida 23 de Maio (trechos onde não tem travessia de pedestre)”, afirmou Haddad. Vias coletoras, como as Ruas Teodoro Sampaio, Artur de Azevedo e Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, por exemplo, que têm agora a máxima de 50km/h, passarão a ter limite de 40km/h.

No dia 20 de julho, começou a valer a redução da velocidade nas Marginais do Tietê e do Pinheiros. As faixas locais caíram de 70 km/h para 50 km/h. Já nas pistas centrais a velocidade passou de 70 km/h para 60 km/h. A diminuição nas faixas expressas foi de 90 km/h para 70 km/h.

Zona leste. A redução mais recente ocorreu no dia 3 de agosto, na zona leste da capital, quando começou a valer o novo limite de velocidade nas Avenidas Jacu-Pêssego e Aricanduva. As vias arteriais já tiveram redução de 60 km/h para 50 km/h. Somente na Jacu-Pêssego 23 pessoas morreram em 2014, segundo dados da Prefeitura.

O médico Dirceu Rodrigues Alves Júnior, chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional (Abramet), elogiou a iniciativa. Segundo ele, é de 85% a probabilidade de acidente fatal em uma colisão entre pedestres e um carro a 64 km/h.

Esse número, de acordo com ele, cai para 5% caso o veículo trafegue com uma velocidade de até 32 km/h. O custo anual dos acidentes, das lesões e dos engarrafamentos, de acordo com a Abramet, é de R$ 32 bilhões ao ano.

“Acham absurdo o número de multas, mas a punição para quem cometeu infração ainda é pequena. Precisamos mexer no bolso do indivíduo para fazê-lo entender que é necessário seguir as leis de trânsito”, defendeu o médico.

Para Horácio Augusto Figueira, consultor em Engenharia de Transporte, os motoristas passarão a dirigir de maneira “mais uniforme e tranquila”. A velocidade média nas vias arteriais oscila entre 20 e 30km/h. “Essa padronização é boa. Estamos achando que 50 km/h é pouco, mas não é. Em nenhuma via da cidade de São Paulo se roda nos horários de pico com essa velocidade”, disse. 

Na Justiça. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que move ação para cassar a redução de velocidades nas Marginais, pretende voltar à Justiça caso Haddad “não ouça a sociedade” sobre a política de ampliar a diminuição do limite máximo para o restante da cidade. 

“Vamos ter de entrar com outra ação, dependendo de como isso vai ser feito, a partir desse novo anúncio”, afirmou o advogado Maurício Januzzi, presidente da Comissão de Trânsito da OAB-SP.

No entanto, ele espera que o plano seja mais discutido com representantes da sociedade civil do que foi a redução de velocidade nas pistas expressa e local nas Marginais. Isso porque, segundo Januzzi, as medidas “mudam a configuração da cidade”. A entidade entrou com a ação no caso das Marginais em 21 de julho. Dias depois, o Ministério Público Estadual (MPE) deu parecer contrário ao pedido da Ordem de suspender a redução.

Ainda está em andamento uma apuração da Promotoria de Habitação e Urbanismo do MPE. O órgão verifica se há estudos qualitativos da Prefeitura para reduzir as velocidades nas Marginais. Segundo a promotoria, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) apresentou apenas dados quantitativos das vítimas do trânsito.

Confusão na Câmara. Na noite desta segunda, houve tumulto durante debate entre taxistas e representantes da Uber na Câmara Municipal de São Paulo. Um jovem de 17 anos se manifestou a favor do aplicativo e acabou tendo de ser escoltado pela Polícia Militar para fora da sala de reuniões em que ocorria o evento, aos gritos de "mentiroso" por parte dos taxistas.

Enquanto se pronunciava, alguém na plateia gritou que ele havia sido comprado pela empresa de tecnologia para defendê-la. O jovem então questionou: "Se eu estou comprado, gostaria de saber se os vereadores também estão comprados pelos sindicatos dos taxistas".

O vereador Adilson Amadeu (PTB), autor do projeto de lei que proíbe que o Uber na cidade, levantou-se da cadeira com o dedo em riste e afirmou que processaria o adolescente. "Ele terá de provar o que falou", disse o vereador mais tarde.

O debate, que contou com forte presença de taxistas, foi organizado pelo vereador Ricardo Young (PPS). COLABOROU MÔNICA REOLOM

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.