Haddad vai desacelerar investimentos

Promessas de campanha devem sofrer atrasos; já para Alckmin, gasto extra com transporte representa 0,13% do orçamento estadual

Adriana Ferraz, Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2013 | 02h11

O prefeito Fernando Haddad (PT) passou o dia ontem fazendo conta. Em reunião com o secretariado, ouviu conselhos, deu ordens e projetou reduzir o ritmo de parte dos investimentos previstos. No fim do dia, pelo menos três hipóteses foram apresentadas por integrantes do PT como solução, mesmo que momentânea, para cobrir o déficit financeiro provocado pela revogação do aumento da tarifa. Na lista está até postergar o lançamento do bilhete mensal, previsto para novembro e com custo de R$ 400 milhões ao ano.

O adiamento também é defendido por parte dos representantes do Conselho da Cidade, que se reuniu na terça-feira. Mas essa possibilidade, por enquanto, é refutada por Haddad, que não pretende voltar atrás em outro compromisso firmado com a população - a decisão de baixar o valor da tarifa do ônibus sem garantir uma contrapartida orçamentária da União foi imposta pelo partido.

As outras duas alternativas aventadas pelo governo referem-se à implementação do programa de internet grátis nas praças, já em consulta pública, e da Rede Hora Certa, para atendimento médico de urgência 24 horas. Eles permaneceriam no planejamento, mas teriam o ritmo diminuído ao longo dos meses, a fim de transferir parte dos gastos para o próximo orçamento, que será totalmente formulado pela atual gestão.

Nas diversas reuniões realizadas ontem na sede da Prefeitura, Haddad também cobrou a entrega de projetos que possam render novos convênios com o governo federal, seja para a construção de creches, moradia popular ou corredores de ônibus. Com as propostas prontas, o objetivo é pressionar a União a assinar as parcerias prometidas durante a campanha eleitoral.

Com mais verba federal, a arrecadação municipal pode ser direcionada para cobrir o rombo da tarifa e evitar cortes de investimentos. A previsão é que seja necessário gastar R$ 1,4 bilhão em subsídios com o transporte público em 2013.

Como a margem de remanejamento nas verbas aprovadas do orçamento é de 15%, Haddad não terá dificuldades em fazer as transferências necessárias, pelo menos do ponto de vista financeiro. A preocupação é com o possível desgaste político.

Alckmin. Com a revogação do reajuste das passagens dos trens da CPTM e do Metrô - que voltarão a custar R$ 3 na segunda-feira -, o Estado terá despesa extra de R$ 210 milhões ao ano com transporte sobre trilhos. Ontem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que vai precisar deslocar verba para cobrir os gastos, apesar de o valor representar só 0,13 % do orçamento geral do Estado, que é de R$ 162 bilhões.

Técnicos da Secretaria Estadual de Planejamento e Desenvolvimento Regional devem entregar hoje para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) um relatório sobre quais áreas poderão perder verba. Ontem, o tucano assegurou que as obras de expansão do metrô e da CPTM, já atrasadas, não serão afetadas. Saúde e Educação também não sofrerão cortes.

Os técnicos passaram o dia analisando a execução orçamentária para identificar onde é possível adiar investimentos ou reduzir o ritmo. Assim como no caso da Prefeitura, uma das possibilidades estudadas é desacelerar o andamento de parte das obras, mas não a ponto de não entregá-las no prazo. A preocupação é com 2014, quando Alckmin tentará a reeleição.

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