Haddad vai cortar linhas de corredores

Equipe do prefeito eleito aproveitará renovação da concessão em julho para reformular sistema e aumentar velocidade média em SP

FERNANDO GALLO, DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h03

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), deve diminuir o número de linhas de ônibus nos corredores da cidade. Com o fim das concessões em julho do próximo ano, também estão em estudo pela equipe do petista o aumento da frequência dos coletivos e formas de tornar maior a ramificação do transporte público nos bairros.

Para os dez corredores atuais, está sob a análise também a possibilidade de circular apenas ônibus biarticulados. Centros de controle operacional devem ser criados para monitorar cada ramal e tomar providências caso haja problemas. A ideia é aumentar a fluidez para dar aos corredores velocidade média igual à do metrô.

Os colaboradores do programa de transporte de Haddad entendem que o correto é ter apenas uma linha por corredor, mas avaliam também que a complexidade do sistema não permitirá essa medida. O número de linhas vai variar de acordo com o corredor, mas a proposta é diminui-lo ao máximo.

O modelo da nova concessão ainda está em estudo e deverá ser definido nos primeiros meses da gestão Haddad. A equipe, no entanto, já sabe que a nova gestão terá de dialogar com as empresas e as cooperativas para equacionar o problema considerado o mais agudo: o da frequência dos ônibus. A equipe quer diminuir o tempo de espera pelos coletivos e reduzir a lotação.

"Todo mundo resiste, empresas e cooperativas. Ninguém quer colocar ônibus vazio para rodar, todo mundo quer pôr ônibus cheio, mas cabe ao poder público dosar isso", disse o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), ex-secretário de Transportes da gestão Marta Suplicy (2001-2004) e um dos coordenadores da área no programa de governo de Haddad. "O sistema foi privatizado, mas o planejamento e a fiscalização estão nas mãos da Prefeitura."

O prefeito eleito também definirá com seus assessores em quais vias é mais urgente construir os 150 quilômetros de corredores prometidos na campanha. O petista chegou a citar as Avenidas 23 de maio, Celso Garcia, Brasil e Radial Leste.

Medida atrasada. Para Marcos Bicalho, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), é acertado reduzir o número de linhas nos corredores. Ele cita, porém, que a medida está atrasada e já era prevista na gestão Marta.

"A licitação de 2003 previa uma rede interligada e que nunca foi feita. Essa rede precisa estimular as baldeações, com vias 'alimentando' os corredores exclusivos. Após a criação do bilhete único o objetivo era exatamente criar essa rede que está sendo proposta agora", disse Bicalho.

"Operações temporárias, com a criação de duas faixas para ônibus nos horários de pico, são uma opção radical para privilegiar o transporte coletivo e que devem ser analisadas", afirmou.

Mestre em Transportes pela USP, Horácio Figueira também defende apenas "linhas-tronco" nos corredores. "No corredor da Avenida Rebouças, temos um amontoado de veículos, a velocidade é muito baixa. É um corredor para ter de quatro a seis linhas, no máximo", disse. "E, se o prefeito eleito quiser beneficiar o transporte público, ele acaba com a exceção aos taxistas."

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