MARCIO FERNANDES/ESTADAO
MARCIO FERNANDES/ESTADAO

Haddad unifica a tarifa de táxi em SP; extra de 50% cai e bandeira 2 é opcional

Medida que iguala táxis comuns e de luxo vale a partir de quarta. Gestão alega que mudanças visam a baratear serviço; Simtetaxi diz que norma vai sucatear frota

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

19 Agosto 2016 | 23h57

A Prefeitura de São Paulo decidiu igualar valores por bandeirada, tarifa quilométrica e horária de todas as categorias de táxi – comum, comum-rádio, especial, preto e luxo – na capital. Na prática, a partir de quarta, não haverá diferença de cobrança. A bandeira 2 ainda passa a ser opcional e cai o extra de 50% entre municípios. O governo alega que negociou a medida, mas o Sindicato dos Motoristas nas Empresas de Táxi do Estado (Simtetaxi) nega e critica a medida. “Vai sucatear a frota de São Paulo”, disse o presidente, Antônio Matias.

Segundo a gestão Fernando Haddad (PT), entidades representativas dos taxistas foram ouvidas e a medida deve baratear o serviço. Nesta sexta-feira, 19, uma portaria com a alteração foi publicada pela Secretaria Municipal de Transportes (SMT) no Diário Oficial da Cidade. Ela define que os valores cobrados devem ser equiparados aos da categoria de táxi comum, a mais barata. Dessa forma, o valor inicial da corrida (bandeirada) passa a ser de R$ 4,50. Também será cobrada tarifa quilométrica (quilômetro percorrido) de R$ 2,75, além de R$ 33 por tarifa horária – quando o carro fica parado ou trafega a menos de 20 km/h. 

Hoje, a tarifa de táxi especial é de R$ 5,65 (bandeirada), R$ 3,45 (quilométrica) e R$ 41,25 (horária), enquanto os carros de luxo cobram, respectivamente, R$ 6,75, R$ 4,15 e R$ 49,50. Já os pretos cobram até 25% a mais do que os valores estabelecidos para a categoria comum.

De acordo com a Prefeitura, a bandeira 2 – cobrada nos domingos e feriados e no intervalo entre 20 e 6 horas, nos dias úteis – passará a ser opcional. Isso permite um acréscimo de 30% na tarifa por quilômetro rodado em todas as categorias.

Ainda se proíbe que os taxistas cobrem adicionais de viagem na Grande São Paulo, mesmo para hora marcada em rádio-chamada, além de adicional para bagagem de passageiros. De acordo com a Prefeitura, as várias faixas se justificavam quando havia menos concorrência. Hoje há 29.174 alvarás de taxi comum em São Paulo, 3.998 de táxis comum-rádio, 624 especiais e 163 de luxo.

Críticas. Para o presidente do Simtetaxi, Antônio Matias, as mudanças prejudicam a categoria. “Essa proposta vai acabar com os táxis de luxo, os executivo e o vermelho e branco (especiais), que era o diferencial que nós tínhamos de mais qualidade para os passageiros”, disse. Segundo afirma, o sindicato também não foi consultado pela administração municipal sobre as mudanças.

Para Matias, as tarifas mais baratas vão prejudicar os taxistas que investiram em veículos melhores e pagaram mais caro pela outorga de táxis de luxo. “Eu tenho carro de luxo, que é blindado e custou R$ 180 mil. Agora vou ter de rodar igual a todo mundo porque o prefeito quer. O cliente sai ganhando, mas e a gente? Ninguém vai querer investir mais, porque não vale a pena. Vai acabar sucateando a frota de São Paulo.”

Outro problema, segundo o presidente do Simtetaxi, é que os táxis comuns vão perder o diferencial de preço e podem acabar preteridos pelos passageiros. “Todo mundo vai preferir andar em táxi de luxo”, disse. “O táxi branco é que roda mais na periferia e no período noturno. Agora misturou tudo. Parece que a intenção é acabar com os táxis”, afirmou.

PARA LEMBRAR - Gestão lançou táxis pretos

Em meio à discussão sobre a regularização dos serviços de empresas de transporte por aplicativos na cidade, a gestão Fernando Haddad (PT) lançou 5 mil alvarás de uma nova categoria chamada de táxi preto, no fim do ano passado. O modelo passou a funcionar com carros de luxo, tarifas próprias e acionada também de forma eletrônica. Com o novo serviço já em funcionamento, o prefeito regulamentou por decreto opções como o Uber, além de outras empresas, levando a um acirramento dos ânimos com taxistas, que protestavam nas ruas pela proibição dessas iniciativas. Antes da medida da administração municipal, os episódios de violência de taxistas contra os profissionais do aplicativo haviam se tornado mais frequentes na capital, denunciando a tensão entre motoristas. 

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