Haddad toca, dança e grafita na periferia de SP

Prefeito viveu dia típico de campanha eleitoral; ideia é sair do gabinete, visitar as 31 subprefeituras e ouvir pedidos dos líderes comunitários

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

15 Março 2013 | 02h02

Há dois meses no cargo, o prefeito Fernando Haddad (PT) viveu ontem um dia típico de campanha eleitoral. Em visita a Cidade Tiradentes, no extremo leste de São Paulo, o petista tocou guitarra, dançou hip hop, visitou creche, posto de saúde e grafitou seu nome em uma placa vermelha na parede de um centro juvenil. A maratona faz parte de uma programação que visa a atender as 31 subprefeituras da cidade, com foco na periferia.

A agenda foi apertada. Por volta das 11h, Haddad já sobrevoava uma área de risco no Jardim Vitória. Meia hora depois, acompanhado por secretários municipais e vereadores da base aliada, o prefeito ouviu pedidos de lideranças locais na subprefeitura, onde deu ordem para construção de um novo prédio - hoje, a administração local funciona em um imóvel alugado, sem a infraestrutura adequada.

"E fica longe do centro do bairro. Agora, acho que vai ser mais fácil a gente reclamar das coisas lá", disse Benedita dos Santos, de 64 anos. A aposentada acompanhou parte da visita do prefeito e afirmou que o petista vai precisar trabalhar muito para ver os problemas resolvidos. "Espero que ele comece pelo transporte. A gente toma o café, almoça e o ônibus não chega."

Quem mora no bairro diz que falta tudo, especialmente mobilidade. Nas principais vias não há corredores de ônibus, ciclovias nem faixas exclusivas. O resultado é um trânsito caótico nos horários de pico, quando a Avenida Ragueb Chohfi, principal via de acesso à região, trava.

Verdade. Não é só. O déficit de vagas em creches, a ausência de médicos especialistas nas unidades de saúde e a falta de equipamentos esportivos e culturais estão entre as principais demandas de Cidade Tiradentes.

Ontem, porém, os problemas pareciam ter desaparecido. Quando Haddad entrou na UBS Projeta Jeremias, por exemplo, a fila de espera por atendimento não tinha mais de cinco pessoas, o que levou uma moradora a dizer que aquela não era a realidade. "Isso aqui é tudo mentira. Vou levar você para ver a verdade", disse a mulher, com o dedo apontado para o prefeito, sem se identificar. Horas depois, o petista minimizou o constrangimento. "Eu a conheço. É a Telma, uma amiga, militante antiga do PT que luta muito para que as coisa mudem - e quer ver resultados. Estou confiante que nossa gestão vai funcionar."

Comitiva. Na segunda-feira, será a vez de Perus, na zona norte, receber a comitiva municipal. Na semana seguinte, será o Itaim Paulista, novamente na zona leste. Em ambas as regiões, além de conhecer as reivindicações da população, Haddad deve anunciar pequenas obras, com orçamento das subprefeituras.

A ideia é cumprir um roteiro que vai da periferia ao centro. Se fizer uma visita por semana, a programação acaba em setembro. Até lá, Haddad espera ver sua popularidade aumentar nas ruas. Por enquanto, o prefeito ainda divide opiniões. Ontem, alguns pediam autógrafo, mas outros perguntavam quem era "o tal de Haddad". Já Netinho de Paula (PC do B), o cantor e secretário da Igualdade Racial, que acompanhou o prefeito, foi sucesso garantido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.