Haddad terá maior equipe feminina no gabinete

Serão sete no primeiro escalão do governo, incluindo a vice-prefeita e a primeira-dama, que mesmo sem ter cargo pretende atuar na saúde e educação

ADRIANA FERRAZ , BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2012 | 02h03

Nos últimos 22 anos, São Paulo teve duas mulheres petistas no comando da cidade: Luiza Erundina (1989-1992) e Marta Suplicy (2001/2004). Mas é Fernando Haddad, que assume amanhã, o prefeito que escalou a maior quantidade de mulheres para ocupar cargos no primeiro escalão do governo. São sete.

Entre as 26 secretarias da nova administração, cinco cadeiras estão reservadas a elas. E duas pastas são consideradas estratégicas: Controle Urbano, sob o chefia da arquiteta Paula Motta Lara, e Planejamento, entregue à economista Leda Paulani. Na área social, as escaladas são Denise Motta Dau (Mulheres), Luciana Temer (Assistência Social) e Marianne Pinotti (Pessoas com Deficiência).

Completam a lista feminina a vice-prefeita, Nádia Campeão (PCdoB), que assumirá o controle das ações entre secretarias relacionadas à Copa do Mundo de 2014, e a primeira-dama, Ana Estela Haddad, que promete trabalhar diariamente na gestão da cidade, apesar de não pleitear nenhum cargo.

Professora na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), a dentista planeja somar forças em duas áreas: saúde e educação. "Vou oferecer graciosamente parte do meu tempo para contribuir com esse projeto que eu acredito e, como primeira-dama, tenho um espaço político importante a ocupar. Mas vou fazer isso sem abrir mão da minha atividade profissional. Vou continuar dando aulas", afirma Ana Estela.

Para a vice-prefeita, o espaço aberto por Haddad às mulheres ocorreu de forma natural e seguiu o mesmo critério usado durante a campanha eleitoral. "Já tivemos papel de destaque nas eleições. Muitas líderes comunitárias e sindicais, candidatas a vereadora, empresárias e políticas nos ajudaram nessa trajetória. A ministra Marta Suplicy e a própria presidente Dilma Rousseff desempenharam funções muito importantes", avalia Nádia.

Mas o cenário traçado em São Paulo ainda não serve de parâmetro. A cientista política Lúcia Avelar ressalta que a participação das mulheres na política está mudando, mas lentamente. "As mudanças na sociedade são mais rápidas do que as mudanças no ambiente político", afirma Lúcia. Pesquisadora do Centro de Estudos de Opinião Pública da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela compara os dados de educação e o porcentual de empregos femininos em cargos públicos para revelar as características dessa situação. Enquanto a população feminina com título acadêmico (12%) é maior do que a masculina (10%), as mulheres são sub-representadas nos cargos de maior poder político.

Tradicionalismo. Em sua pesquisa, Lúcia levantou os cargos comissionados mais bem pagos do governo federal. Em 2010, havia 78% de homens nesses empregos e 22% de mulheres. Apesar da enorme desproporção, em 1998 a situação era pior. Só 18% de mulheres estavam nos melhores cargos. "Existe um forte tradicionalismo relacionado a gênero na política brasileira. Haddad parece escapar dessa visão de mundo, o que pode trazer bons resultados para a administração da cidade."

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