Haddad se blinda contra a 'pechincha' do baixo clero

Análise: Diego Zanchetta

O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2013 | 02h03

A renovação de 40% dos vereadores assegurada nas urnas e a saída de figuras-chave como Antonio Carlos Rodrigues (PR), atual senador e presidente por quatro mandatos, abriram caminho para Fernando Haddad (PT) mudar o modelo de negociação entre Executivo e Legislativo em São Paulo. O prefeito eleito quer um funcionamento semelhante ao do Congresso Nacional, sem abrir espaço para pechinchas de varejo com o "baixo clero".

Os acordos serão em bloco, feitos com os caciques de cada bancada. A Secretaria de Relações Institucionais não deve mais ser um "balcão" por onde parlamentares passam toda semana em busca de favores. Um sistema bem diferente do observado nos últimos dez anos, quando um único vereador conseguia bloquear as votações, caso não tivesse seu desejo atendido pelo prefeito.

Para acabar com o varejo, Haddad chamou o Legislativo para governar junto. Cinco vereadores, ou 10% da Câmara, serão seus secretários. Partidos como PTB, PMDB, PP e PV foram contemplados - em troca, vão ter de votar sempre em bloco com o governo.

E para segurar a ânsia dos petistas de diferentes alas por cargos e favores, Haddad escalou o veterano Arselino Tatto (PT) para líder de governo. Ex-presidente da Câmara, líder de Marta Suplicy (PT) e vereador desde 1989, Tatto terá uma tarefa 'caseira' bem espinhosa: manter alinhada e satisfeita a bancada petista, a maior da Casa, com 11 parlamentares.

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