Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Haddad reduz segurança privada em parques

Metade dos contratos firmados com empresas sofreu cortes ao longo de um ano; Ibirapuera, que registrou estupros, teve efetivo aumentado

Adriana Ferraz, Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2016 | 05h00

O prefeito Fernando Haddad (PT) reduziu a segurança privada de parques na periferia da capital. Metade dos contratos firmados com empresas privadas sofreu cortes ao longo do ano passado. O contingenciamento chega a 25% em unidades das zonas oeste e sul, como os Parques Cemucam e Guarapiranga. Já equipamentos localizados em áreas nobres, como o Parque do Ibirapuera, na zona sul, onde duas jovens foram estupradas neste mês, segue com equipes completas.

Os aditamentos obedeceram a ordem de Haddad. No início do ano passado, o prefeito determinou que todos os contratos acima de R$ 500 mil fossem revistos pelas secretarias, a fim de promover um corte de 20% nas despesas de custeio dos órgãos da administração direta e indireta – a mesma medida já foi tomada neste ano. Somados os 15 contratos de vigilância privada dos parques municipais, a Prefeitura gastaria R$ 89 milhões, valor que caiu para R$ 76,5 milhões.

Pelo portal da Prefeitura não é possível saber quantos seguranças foram cortados. A redução, no entanto, é sentida por frequentadores. No conjunto de áreas verdes do Grupo Orla, na zona sul, com contratos reduzidos em 25%, usuários relatam sensação de insegurança. Às 9h30 de quarta-feira, a aposentada Custódia Carlota de Oliveira, de 80 anos, se exercitava em um dos aparelhos do Parque São José quando dois homens passaram por ela, se esconderam atrás de árvores e passaram a consumir drogas. 

“Há um ano, isso não acontecia porque tinha mais segurança. Este parque até que é tranquilo, mas tem coisas que acontecem que deixam a gente preocupada”, disse. A reportagem viu apenas dois seguranças no local. A guarita deles, na entrada do parque, ficou vazia por mais de uma hora. 

O mesmo temor existe no Parque Trianon, na Avenida Paulista, que não teve redução no número de vigias. A comerciante Fabiane Ramos, de 26 anos, leva algumas vezes por semana o filho de um ano para passear. O mais certo seria dizer que ela fica parada porque se recusa a conhecer todo o parque. “Se eu fico muito longe das guaritas, moradores de rua vêm me abordar. Não é preconceito, acontece que eu sou mulher, estou com um criança pequena e tenho medo do que possa acontecer caso eu esteja longe.”

Ibirapuera. Bacanal era o termo que os romanos usavam para as festas hedonistas, regadas a vinho, e que os frequentadores do Parque do Ibirapuera, com mais de 1,5 milhão de metros quadrados, usam para batizar a área do Bananal, onde durante o dia casais fazem sexo, pessoas consomem drogas e álcool e fazem as necessidades fisiológicas. 

A área fica atrás do Viveiro Manequinho Lopes. No dia 17 deste mês, duas jovens, uma de 16 e outra de 18 anos, foram supostamente estupradas no local. A área tem pouca segurança. As viaturas e bicicletas da Guarda Civil Metropolitana (GCM), assim como os seguranças do parque, não passam por ali. Os frequentadores evitam ficar por lá. 

“Aqui se vê de tudo. Outro dia um cachorro correu até a dona com um vibrador na boca”, afirmou um tratador de cachorro de 26 anos que preferiu não se identificar. A administradora de empresas Lúcia Maria do Amaral, de 47 anos, evita ficar muito tempo no espaço. “Se tem mais gente com crianças ou jogando bola, eu venho. Mas nas vezes em que fiquei aqui sozinha, fui abordada. Já vi casais seminus como se estivessem na casa deles.”

Fato isolado. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente informou que “os parques municipais têm segurança patrimonial necessária e contam com o apoio da GCM”. A Prefeitura disse que “lamenta” o estupro no Parque do Ibirapuera e “esclarece que o episódio foi um fato isolado” e “inesperado”, mas aumentou o efetivo de guardas no local nas noites de sábado e domingo.

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