Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Haddad recua e consegue aprovar corredores de ônibus na Câmara

Após pressão popular, governo retira de projeto via exclusiva na Avenida Sabará, zona sul, e obtém vitória

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

18 Março 2014 | 22h36

SÃO PAULO - A base aliada do prefeito Fernando Haddad (PT) conseguiu aprovar nesta terça-feira, 18, em primeira votação, o projeto de lei que permite o alargamento de 66 vias da cidade para a construção de novos corredores de ônibus. A vitória por 36 votos favoráveis, 1 abstenção e 10 contrários foi obtida após recuo do Executivo em relação à via exclusiva prevista na Avenida Nossa Senhora do Sabará, zona sul.

Por causa da pressão popular, a proposta para a região sofrerá alterações de trajeto. O compromisso foi firmado depois da votação do texto original, por meio de uma emenda que contou com 46 votos e 1 abstenção. Parte dos moradores acompanhou a sessão das galerias do plenário.

A polêmica entorno do projeto é explicada pela quantidade de desapropriações que ele pode gerar em um período de 25 anos. Só na área do corredor Sabará quase 500 imóveis poderiam de ser derrubados. Segundo cálculo da gestão Haddad, 7 mil imóveis estão no perímetro que sofrerá congelamento para viabilizar as obras. Se todos tiverem de ser desapropriados, o custo total já está calculado: R$ 1 bilhão.

Nesta terça-feira, 18, antes de saber do resultado da votação, o prefeito Haddad voltou a afirmar que o projeto não visa a liberar ou não desapropriações, mas autorizar o realinhamento das vias que futuramente poderão sofrer mudanças viárias. "O prefeito pode, é claro, fazer desapropriações via decreto. Mas não há como realinhar 66 vias e construir 150 km de corredores sem fazer desapropriações. O próprio projeto menciona isso. É falácia dele (Haddad) querer desvincular as coisas", disse o vereador Floriano Pesaro (PSDB).

A oposição tentou, por seis horas, obstruir a votação e chegou a apresentar um texto substitutivo que sugeria a votação do realinhamento apenas das vias que receberão 94,9 km de corredores, pacote que está em fase de elaboração de projeto executivo. José Police Neto, líder do partido do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), defendeu a mesma medida, mas retirou o substitutivo apresentado por sua sigla antes dele ser encaminhado para votação. Ao final, o PSD votou em bloco, a favor do projeto. Os votos contrários foram registrados apenas por representantes do PSDB, Ricardo Young (PPS) e Gilberto Natalini (PV).

Negociação. Ao defender o projeto, o vereador Alfredinho (PT) citou a polêmica na gestão passada entorno da aprovação do túnel da Avenida Roberto Marinho, na zona sul. Idealizada por Kassab e adiada pelo prefeito Haddad, a proposta também previa um número alto de desapropriações - cerca de 8 mil -, e mesmo assim passou pelo plenário, conduzida pelos vereadores que hoje fazem oposição. Ao final, o petista comemorou o resultado. "A base entendeu a importância do projeto. Foi uma negociação complexa, mas não um recuo."

Para virar lei, a proposta precisa de ser novamente aprovada em plenário. A próxima votação ainda não tem data marcada, mas a expectativa é que ela ocorra na semana que vem, quando também o plano diretor deverá ser colocado em pauta. "Até lá vamos discutir novas possibilidades de mudanças. Espero que a retirada do corredor da Sabará, após a luta dos moradores da região, abra um precedente, um estímulo à participação da população", disse Marco Aurélio Cunha (PSD).

Associações de moradores de outros bairros da cidade, como Itaim Paulista, na zona leste, e M'Boi Mirim, na zona sul, também se mobilizam para barrar corredores em suas regiões ou alterar os trajetos previstos atualmente.

Representantes do governo sinalizaram nesta terça que essas possíveis novas alterações serão apenas pontuais. "Os corredores serão feitos. Questões específicas poderão ser revistas, como dividir as desapropriações pelos dois lados de determinada via, mas a concepção dos corredores será mantida", completou Nabil Bonduki (PT).

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