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Haddad rebate Doria com críticas ao governo estadual: 'monotrilho é desastre urbanístico'

Atual prefeito também atribuiu o espalhamento dos usuários de drogas nas ruas da cidade à ação 'desastrada' da PM em janeiro de 2012

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2016 | 18h04
Atualizado 06 Dezembro 2016 | 19h01

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse nesta terça-feira, 6, que não comentaria a declaração do prefeito eleito João Doria (PSDB), feita na segunda-feira, 6, de que "a cidade é um lixo vivo"

Embora tenha evitado críticas a Doria, o petista não poupou o governo estadual, afirmando que há falhas no combate aos pancadões, que a ação "desastrada" da polícia em 2012 levou ao espalhamento da cracolândia e que as obras do monotrilho favoreceram o aumento de usuários de crack e moradores de rua na cidade. 

"O monotrilho é um pequeno desastre urbanístico e econômico. É uma tecnologia que não foi adotada por nenhum país civilizado", disse Haddad. Segundo o prefeito, as obras do monotrilho são um problema urbanístico "gravíssimo", que formam "novos Minhocões na cidade". E que representam um transporte "extremamente ineficiente". 

"Veja há quantos anos as duas estações estão fazendo teste. Já são mais de dois anos em teste e não temos nenhum horizonte de solução desse problema", afirmou. Para Haddad, esse atraso acabou acarretando uma "certa desfuncionalidade" nas regiões das obras do modal, tanto na Avenida Jornalista Roberto Marinho quanto na Avenida Anhaia Melo.

Doria havia declarado na segunda, em evento na Fecomercio, que "antes tinha uma Cracolândia na cidade com 400 usuários e hoje são 3 mil, espalhados por seis cracolândias".  Questionado, Haddad disse: "Não sei com base em que ele (Doria) está dizendo isso. Ele está chegando agora e vai se familiarizar com os dados."

O prefeito atribuiu o espalhamento dos usuários nas ruas da cidade à ação "desastrada" da Polícia Militar em janeiro de 2012. Haddad disse que, quando assumiu o mandato em 2013, havia 27 pontos de consumo na cidade. "Tínhamos um local (de uso de crack) na Luz e com aquela ação desastrada ela (cracolândia) se espalhou para 27 pontos, mas isso em 2012. Não é uma coisa de agora. Na verdade, vem reduzido o número de pontos", disse Haddad, sem informar o número atual de pontos. 

Pancadões. No mesmo evento da Fecomércio, Doria disse também que os pancadões são financiados pelo PCC. Haddad diferenciou baile funk de pancadão - o primeiro, segundo o prefeito, é apoiado pela Prefeitura em horário e local definido.

Já sobre os pancadões, o petista concordou com Doria, afirmando que "há apoio do tráfico de drogas". Mas criticou a gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB): "O pancadão está proibido por lei estadual. Mas a lei estadual não é cumprida pelo governo do Estado. Está sancionada há bastante tempo e, infelizmente, não vem sendo cumprida pelo governo do Estado. Então é preciso verificar quais são as responsabilidades de cada esfera de governo", afirmou.

Respostas. Em nota, a Secretaria de Transportes Metropolitanos disse que, "ao contrário do que informou o prefeito Haddad, o sistema monotrilho foi implantado e opera há décadas em países como Japão, China, Austrália e Estados Unidos exatamente pelos benefícios do modal".

A nota cita como benefícios desse tipo de sistema de transporte "a utilização de via elevada, sem necessidade de escavação e construção de túnel; os custos menores com menos desapropriações; as estruturas de concreto pré-moldado instaladas em canteiros centrais de avenidas, gerando pouca interferência no viário; o transporte elétrico, ecologicamente limpo e com impactos ambientais e sonoros reduzidos".

A Secretaria de Transportes Metropolitanos ressalta ainda que "todas as obras contam com seguranças uniformizados, que fazem rondas de moto e em postos fixos. Os canteiros de obras estão isolados por tapumes. A presença de moradores de rua e usuários de drogas é uma questão social diretamente afeta à municipalidade, a quem cabe a responsabilidade de implantação de programas sociais de atendimento".

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que "as polícias Civil e Militar desenvolvem ações na região da Luz para sufocar o tráfico de drogas e apoiar as ações de saúde e assistência social aos usuários de drogas".

"A Polícia Militar mantém seu efetivo com mais de 150 policiais da Companhia Nova Luz, que contam com bases comunitárias, base móvel, viaturas de quatro rodas e motocicletas, que atuam 24 horas na região. Cinco bases continuam fixadas na região: uma no cruzamento da Av. Duque de Caxias com a Praça Princesa Isabel, outra no cruzamento da R. Guaianases com Al. Glete, a terceira, na altura do número 173 da R. Guaianases, a quarta na Alameda Barão de Limeira com Rua Helvétia, e, a quinta, no Largo Coração de Jesus", diz ainda a nota. 

Sobre os pancadões, a SSP diz que PM oficiou o Contran sugerindo mudanças no método de fiscalização de som alto em veículos previsto no Código de Trânsito Brasileiro. "O órgão, então, baixou uma resolução que permite que seja aplicada multa a motoristas sem a necessidade de aferição dos decibéis emitidos. A sanção é aplicável toda vez que for possível ouvir o som do lado de fora do veículo e houver queixa de perturbação de sossego público".

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