Haddad reabre tenda e retira sem-teto da Sé

Prefeitura realizou operação nessa quarta-feira, 9, na região central, removeu barracas da praça e encaminhou moradores de rua para centro de convivência

Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2013 | 02h01

A Prefeitura de São Paulo reabriu nessa quarta-feira, 9, a tenda para moradores de rua do Parque D. Pedro II. Instalado pela gestão Gilberto Kassab (PSD), o centro de convivência foi fechado em abril pela administração Fernando Haddad (PT) e voltou a funcionar durante ação para remover barracas da Praça da Sé.

Equipes de limpeza, 46 guardas-civis e 15 assistentes sociais participaram da ação, iniciada já há dez dias para convencer famílias, dependentes químicos e andarilhos a deixar o marco zero da capital. A operação de ontem teve início às 8h.

Ativistas e os moradores de rua, no entanto, classificaram a operação de confusa e desorganizada. "O pessoal vai chegar lá (na tenda) e não é o que eles esperam. Não tem banheiro funcionando", disse o padre Júlio Lancellotti, vigário para o povo da rua. "Alguns deles vão voltar. Só vai mudar o problema de lugar", afirmou.

Conforme os moradores de rua cediam ao pedido dos funcionários da Prefeitura, equipes de limpeza desmanchavam as tendas de camping e jogavam em um caminhão entulhos e até objetos pessoais, segundo os sem-teto. "Não tenho documento mais. Deixei na mochila. Todo dia a gente perde coisa quando fazem a limpeza", disse Luciana Sá, de 38 anos, que admitiu usar crack desde os 23.

Luciana se queixou da falta de informação. "A gente havia parado aqui (na Praça da Sé) porque a tenda havia fechado. Simplesmente veio um guarda e disse: 'Desmonta aí, a gente vai ver onde vocês vão ficar'", afirmou.

De acordo com a Secretaria de Assistência Social, os moradores de rua receberam a proposta de encaminhamento a abrigos ou aluguel social. "Estamos oferecendo acolhimento para as pessoas. Trata-se de uma política que é bastante complexa. Não há só gente que mora na rua, também tem gente que tem comprometimento grave, como os usuários de crack", disse a secretária da Assistência Social, Luciana Temer. A Secretaria da Habitação fez um pré-cadastro de 22 famílias. Após o cadastramento, serão pagos R$ 300 de aluguel social por mês.

Resistência. Os moradores de rua, porém, reclamaram das alternativas apresentadas pela Prefeitura. "O abrigo não tem respeito. Já saí de lá para não sentir bafo de pinga", afirmou Vagner Ferreira, de 26 anos. "Chegaram lá (na Praça da Sé) e disseram que a gente teria assistência aqui (na tenda). Mas o local vai fechar à noite", disse ele, frustrado.

A família de Rubens Miguel, de 37 anos, também estava na expectativa de ser atendida na tarde de ontem e aguardava em uma mesa no centro reaberto. "É difícil sair uma casa, mas mandaram a gente vir para cá", disse Miguel, desempregado e morador de rua há 15 anos, acompanhado da mulher e da filha de 6 anos.

Quando estava em funcionamento, a tenda atraía usuários de droga para atividades como ver televisão ou tomar banho. Ontem, apenas um banheiro tinha água, segundo informações de funcionários. Guardas-civis que estavam ontem na tenda contaram que o local foi fechado após brigas entre viciados.

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