Haddad promete ciclovias em todos os bairros de SP

Haddad promete ciclovias em todos os bairros de SP

No Dia Mundial sem Carro prefeito usou bicicleta para ir de casa até o trabalho e defendeu desoneração do meio de transporte

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

22 Setembro 2014 | 11h32

 

SÃO PAULO - Após pedalar por cerca de 4,1 quilômetros entre seu apartamento no Paraíso, na zona sul, e o prédio da Prefeitura, no Viaduto do Chá, na região central, o prefeito Fernando Haddad (PT), prometeu ciclovias em todos os 96 distritos da capital. Nesta segunda-feira, 22, em comemoração ao Dia Mundial sem Carro, o prefeito pedalou para o trabalho acompanhado de cicloativistas e do senador Eduardo Suplicy (PT). 

"Nenhum distrito de São Paulo por mais periférico que seja vai deixar de estar interligado à malha cicloviária. Com 400 quilômetros dá para chegar ao Rio de Janeiro, então dá para chegar em Guaianases, Perus em Marsilac", disse o prefeito. A meta da Prefeitura é que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) implemente 400 quilômetros de faixas até o final do ano que vem. 

Ao contrário do que acontece no centro expandido os extremos da cidade estão com poucas ciclovias e com uma implementação mais lenta. Matéria publicada pelo Estado no último dia 14 mostrou que bairros no extremo leste como o Itaim Paulista e o Jardim Helena estão entre os que mais se usam a bicicleta para trabalhar em toda a cidade. 

Haddad também defendeu a desoneração das bicicletas. "Nós estamos na Frente Nacional de Prefeitos pedindo a isenção (de impostos) da bicicleta para os governos que tributam e não para o governo municipal. Temos que cobrar dos governos Estadual e Federal a isenção da bicicleta e não ao prefeito que não arrecada nada um tributo que não é dele." O IPI e a Cofins, ambos impostos federais, e o ICMS do governo do Estado incidem sobre o preço final da bicicleta. Segundo o Haddad, caso seja feito "um esforço" o preço da bicicleta pode ser reduzido entre 20% e 30%.

Para Daniel Guth, diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), hoje o meio de transporte não está "ajustado" ao bolso do brasileiro. "Cerca de 40% de quem usa a bicicleta tem renda familiar de R$ 1.200 enquanto uma bicicleta média, de qualidade, custa entre R$ 800 e R$ 1 mil." 

'Simbólico'. 

Haddad classificou como "simbólica" sua ida ao trabalho de bicicleta. "Não é em um dia que vai mudar uma cultura. Eu ainda vejo, quando saio com os ciclistas, que há muita ofensa. As pessoas xingam com muita frequência. Temos que aprender a respeitar o usuário do transporte público, o pedestre, o ciclista, que são as partes frágeis do elo da mobilidade, são as pessoas que estão ajudando a mobilidade a funcionar melhor", afirmou o prefeito.

Por volta das 8h o prefeito saiu de seu prédio e empurrou a bicicleta pela calçada até a Rua Oscar Porto. Acompanhado de dezenas de ciclistas Haddad montou na bike, virou na Rua Abílio Soares, atravessou a Avenida Bernardino de Campos e acessou a Rua do Paraíso e desceu em direção ao centro pela ciclovia da Rua Vergueiro e da Avenida Liberdade (antiga motofaixa). O prefeito só deixou de pedalar na faixa quando chegou na Prefeitura. 




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