Haddad põe aliados de vereadores em subprefeituras

Prefeito nomeia indicados por parlamentares para ocupar chefias de gabinetes regionais; cargo tem salário mensal de R$ 17,3 mil

ADRIANA FERRAZ , DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2013 | 02h02

O prefeito Fernando Haddad (PT) cumpriu a promessa feita aos vereadores e liberou nomeações políticas para as chefias de gabinete das subprefeituras, com salário de R$ 17,3 mil. Os primeiros 23 dos 31 nomes foram publicados ontem no Diário Oficial da Cidade e contemplam quase todos os partidos da base aliada.

Na lista de indicações, há funcionários da Câmara Municipal, dirigente esportivo, empresários e presidente regional do Rotary, além de doadores de campanha. Os eleitos vão ter um rendimento bruto superior ao de um procurador do Município com pelo menos 11 anos de experiência, que recebe R$ 16.989.

Até o vereador Aurélio Miguel (PR), acusado pelo Ministério Público Estadual de receber propina do Shopping Pátio Paulista para facilitar a obtenção de um alvará irregular (veja abaixo), conseguiu emplacar um aliado no segundo escalão da Subprefeitura do Butantã, na zona oeste. O escolhido para o cargo é o ex-diretor do São Paulo Futebol Clube e ex-vice-presidente da Federação Paulista de Judô (FPJ) José Roberto Canassa.

Líder do PR, Miguel se transformou em um dos principais nomes da oposição à gestão de Gilberto Kassab (PSD), ao não ser nomeado secretário municipal de Esportes em 2008, após apoiar a reeleição do ex-prefeito. A indicação do vereador atende a alguns dos requisitos exigidos por Haddad para o cargo: Canassa mora na região do Butantã, já trabalhou na subprefeitura e não tem histórico de processos na Justiça.

Mas as características ideais de Haddad nem sempre são seguidas à risca. Entre os nomeados, há quatro chefes de gabinete de vereadores. Alfredinho (PT), Noemi Nonato (PSDB), Senival Moura (PT) e o próprio presidente da Câmara, José Américo (PT), são os responsáveis pela "promoção".

Os eleitos ganharam um "bônus" de pelo menos R$ 6 mil para trabalhar, respectivamente, nas administrações regionais de Parelheiros (zona sul), Itaim Paulista e Guaianases (zona leste) e Freguesia do Ó (zona norte). Na Câmara, o salário médio de um chefe de gabinete varia de R$ 9 mil a R$ 11 mil.

Indicado por Noemi, Marlon Sales já foi investigado pela Promotoria de Cidadania. Ele é citado em processo que apurou uso de verba parlamentar para pagar gastos de campanha da vereadora, em 2008.

Para Alfredinho, as indicações devem ser encaradas de forma natural. "Que governo não faz isso?", indagou o petista, ao defender uma administração de coalizão. Segundo ele, seu indicado, Claudimar Moreira Dias, é um "quadro do partido".

Estreia. Novato no Legislativo, Laércio Benko (PHS) também conquistou o direito de indicar seu aliado. O empresário Carlos Roberto da Silva vai ocupar a chefia da Subprefeitura da Lapa, na zona oeste. A nomeação põe fim à dúvida sobre a participação do partido na base de Haddad.

Atual secretário municipal do Trabalho, Eliseu Gabriel (PSB) nomeou José Antonio Varela Queija para a chefia da Subprefeitura de Pirituba, na zona norte. Integrante do diretório municipal do partido, Queija foi coordenador de obras na regional e um dos doadores de campanha do parlamentar em 2008.

O PV e o PMDB também receberam suas cotas, com indicações confirmadas para as Subprefeituras de Cidade Ademar e Santo Amaro, ambas na zona sul. Do mesmo modo, o PTB indicou o chefe da Mooca, Maurício Luis Martins, com o aval da Liga das Escolas de Samba de São Paulo.

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