Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Haddad pode ceder área da Nova Palestina aos sem-teto

Durante manifestação, o prefeito de São Paulo disse que se a Câmara decidir transformar a área em uma Zona Especial de Interesse Social, uma parte do terreno será destinada à habitação popular

Caio do Valle e Felipe Tau, O Estado de S. Paulo

26 Março 2014 | 17h11

Atualizada às 19h30

SÃO PAULO - Depois de mais de duas horas de caminhada entre o Largo da Batata, na zona oeste, e o Viaduto do Chá, no centro, bloqueando vias importantes da capital paulista, uma marcha do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) conquistou na tarde desta quarta-feira, 26, duas vitórias em sua pauta de reivindicações por melhorias na habitação popular.

No início da tarde, o prefeito Fernando Haddad (PT) subiu ao caminhão de som dos manifestantes e falou sobre a ocupação Nova Palestina, na zona sul, onde vivem cerca de 8 mil famílias. Segundo o petista, se a Câmara Municipal, na votação do Plano Diretor, decidir transformar a área em uma Zona Especial de Interesse Social (Zei), uma parte do terreno - que tem quase 6 mil metros quadrados - será destinada à habitação popular. O prefeito também disse que está temporariamente suspensa a reintegração de posse da ocupação Dona Déda, também situada na zona sul.

"Nós revogaremos o Decreto de Utilidade Pública da área tão logo a Câmara aprove o Plano Diretor e demarque a área como Zona Especial de Interesse Social. Ao marcar a área como ZEIS, nós poderemos compatibilizar a questão ambiental com a produção de moradia, de forma equilibrada, de maneira que o decreto de utilidade pública perca o sentido e nós possamos fazer uma combinação de parque com a produção de moradia popular", afirmou o prefeito. "Não vai ter, da parte do Executivo, nenhuma objeção a que vocês possam, junto com a Caixa Econômica e com a Prefeitura, trazer a moradia que tanto sonham e que é de direito sagrado de vocês", disse Haddad.

Também à tarde, o movimento foi recebido pelo presidente da Câmara Municipal, José Américo (PT).

Quando chegou ao prédio da Prefeitura, por volta das 11h, uma comissão composta de 13 representantes de ocupações da cidade subiu para o gabinete do prefeito às 11h50, onde seria recebida por equipes dos secretários Paulo Frateschi, de Relações Governamentais, e José Floriano de Azevedo, da Habitação. Entre os pedidos levados estão a revogação do decreto que cria um parque no terreno da Nova Palestina e o fim dos despejos nas ocupações.

Protesto. Os manifestantes partiram da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na altura do Largo da Batata, por volta das 8h50 e passaram pelas Avenida Rebouças e pela Rua da Consolação antes de chegar ao Viaduto do Chá, onde fica a sede da administração municipal. Na frente do Edifício Matarazzo, entoaram um grito anunciando a presença do movimento: "ô, a periferia chegou, a periferia chegou".

Segundo a Polícia Militar, o ato tinha mil pessoas na concentração e reunia 1,5 mil participantes por volta as 10h30. Os organizadores disseram ter atraído cerca de 10 mil participantes, principalmente do assentamento Nova Palestina. O eletricista Ailton Ferreira dos Santos, de 43 anos, vive no local e participou da manifestação. "A Prefeitura sempre falou que não tem verba para comprar o terreno, mas para a Copa do Mundo tem, não é?" O trânsito nas vias por onde seguiu o protesto foi bloqueado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Durante a marcha, ao microfone, o grupo entoava gritos como "O povo na rua, Haddad a culpa é sua". Também havia falas contra a Copa do Mundo. A PM acompanhava o grupo com motos e viaturas.

Um dos organizadores do ato, Guilherme Boulos, explica que o MTST continuará buscando melhorias na área de habitação. "Infelizmente, ainda temos que brigar e muito por direitos básicos, como a habitação", afirmou a doméstica Iracema Oliveira, de 45 anos, que mora na ocupação Novo Pinheirinho, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Segundo ela, até o mundial de futebol, novos protestos do MTST estão programados para chamar a atenção do poder público para a questão da moradia.

Anhanguera. Um outro protesto, que não foi organizado pelo MTST, fechou a Rodovia Anhanguera na altura de Osasco pela manhã e reuniu cerca de 150 pessoas, de acordo com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE). A estrada foi totalmente bloqueada no sentido São Paulo entre as 6h15 e as 7h30, segundo informações da concessionária AutoBAn e da Polícia Rodoviária Estadual. O congestionamento chegou a seis quilômetros às 7h45, com fila dos quilômetros 22 ao 16. Houve reflexos na Rodovia dos Bandeirantes, do mesmo sistema, que chegou a somar 17 quilômetros de lentidão às 8h30.

COLABORARAM LUIZ FERNANDO TOLEDO, JULIANA DIÓGENES E ADRIANA FERRAZ

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