Haddad nomeia pivôs de escândalos

Chefes de gabinete definidos para as secretarias da Copa-14 e de Esportes estiveram envolvidos em denúncias no Estado e na União

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2013 | 02h01

Dois chefes de gabinete nomeados ontem pelo prefeito Fernando Haddad (PT) foram pivôs de escândalos recentes nos governos federal e do Estado. Designado para chefiar o gabinete da vice-prefeita Nádia Campeão (PCdoB), Oswaldo Napoleão Chaves era sócio de uma consultoria que recebeu R$ 825 mil para dar suporte a um projeto do Ministério dos Esportes, em agosto de 2011 - após o caso ser revelado pelo Estado, o então ministro da pasta Orlando Silva (PCdoB) foi demitido.

Outro chefe de gabinete nomeado por Haddad envolvido em suspeita de corrupção é Miguel Del Busso, que vai auxiliar Celso Jatene (PTB) na Secretaria de Esportes. Aliado do deputado estadual Campos Machado (PTB), Busso era chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Esportes quando a empresa de seu genro de 24 anos, a Construlara Construtora e Empreendimentos Imobiliários, ganhou contratos de 11 obras em 6 prefeituras do interior, no valor de R$ 1,3 milhão, em 2010.

Todas as obras eram feitas pela Construlara por meio de convênios entre prefeituras da região onde Busso tem família e já foi político e a pasta de Esportes do Estado. Quem liberava os convênios era o próprio Busso. O caso é investigado pelo Ministério Público de Santa Adélia, a 371 km da capital. "Eu tenho confiança no Miguel. Ninguém pode impedir um genro de abrir uma empresa e ganhar licitações. É um cara do bem e vai me ajudar", argumentou Jatene, às 17 horas, enquanto despachava com o próprio Busso em seu primeiro dia na pasta de Esportes.

Comunistas. O caso que envolveu o agora braço direito da vice-prefeita, que também vai acumular a função de organizar a Copa de 2014, teve repercussão nacional e derrubou o então ministro Orlando Silva. No diretório estadual do PCdoB, o novo chefe de gabinete é ligado a Walter Sorrentino, casado com Nadia.

Chaves criou em dezembro de 2010, com o também comunista Júlio César Filgueira, que havia deixado o Ministério dos Esportes um mês antes, a consultoria Casa de Taipa. Um ano depois, a empresa deles começou a receber verba pública, sem licitação, da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU). A tarefa da Casa de Taipa era cuidar de um projeto do governador do Distrito Federal, o ex-PC do B e agora petista Agnelo Queiroz.

O projeto, com total apoio do Ministério do Esporte, cuidava da promoção da candidatura de Brasília para sede da Universíada de 2017, os Jogos Mundiais Universitários. Dois meses antes de contratar a Casa de Taipa, Agnelo Queiroz e o então secretário nacional de Esporte Educacional do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro, estiveram nos Jogos Universitários da China para defender a candidatura de Brasília para 2017. O ministério foi quem bancou, com R$ 2 milhões, a participação da delegação da CBDU em Pequim, na China.

A Casa de Taipa foi contratada dias antes de Agnelo e Wadon irem para Pequim. No dia 1.º de agosto de 2011, a CBDU recebeu R$ 2 milhões do Ministério do Esporte para custear a delegação brasileira que apresentou na China a candidatura de Brasília. Quatro dias depois, a mesma CBDU também celebrou convênio de R$ 2,8 milhões com o governo do Distrito Federal. No dia 8 de agosto, com R$ 4,8 milhões no cofre, a CBDU contratou a Casa de Taipa, a empresa dos dirigentes do PC do B, por R$ 825 mil, sem concorrência.

Sem comentários. Nádia Campeão foi procurada, mas retornou às ligações.. A assessoria de imprensa de Haddad foi procurada e informou que não comentaria as nomeações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.