Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Haddad nega que licitação vá reduzir ônibus em circulação

Um dia após paralisação, prefeito afirmou que processo licitatório nem está na rua ainda: 'Não é verdade que isso esteja definido'

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2015 | 20h22

SÃO PAULO - Um dia após a paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus em 29 terminais da capital paulista, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) negou nesta quarta-feira, 13, que haverá redução do número de coletivos em circulação. Os motoristas pedem reajuste salarial e prometem fazer mais atos caso a nova licitação para o transporte municipal, que deve ser lançada ainda neste mês, reduza o número de veículos em circulação - o que deve acontecer, segundo empresários do setor.

"A licitação nem está na rua. Não é verdade que está previsto (reduzir o número de ônibus). Não é verdade que isso esteja definido. Estão fazendo estudos sobre isso", disse, sem detalhar quais avaliações estão em curso. A São Paulo Transportes (SPTrans), empresa da Prefeitura que administra a frota de ônibus da capital, já havia negado que a nova licitação corte linhas.

Mesmo tendo negado, Haddad disse que a definição sobre a redução de linhas de ônibus "não é uma negociação entre sindicatos", mas principalmente com a sociedade civil, além de especialistas, trabalhadores do setor e empregadores. "Quando o edital for para consulta pública, nós vamos abrir para discussão de toda a sociedade. Um edital desse porte é discutido pela cidade, e não na mesa de negociação sindical." 

A paralisação de terça-feira durou das 10 horas ao meio-dia e, segundo a SPTrans, empresa da Prefeitura que administra as linhas, prejudicou 675 mil pessoas. O sindicato exige 15,5% de reajuste salarial e aumento do valor de outros benefícios. A proposta das empresas é de aumento de 7,21%. A próxima assembleia dos motoristas será nesta quinta-feira. Os patrões consideraram a paralisação ilegal.

Haddad disse que se recusa a acreditar na hipótese de uso político da paralisação. "Não quero crer que passe pela cabeça de alguém prejudicar a população por razões dessa natureza", afirmou. O prefeito disse que confia na capacidade de negociação entre empresários e motoristas, pediu que os dois sindicatos, tanto do patronal quanto dos trabalhadores, observem as regras definidas pela Justiça "para não trazer prejuízo para a população" e reforçou que a Secretaria Municipal de Transportes está mantendo "interlocução permanente" com empresários e trabalhadores.

"É da natureza das relações de trabalho a negociação da data base, mas observando os direitos dos demais trabalhadores que precisam chegar às suas casas e aos seus postos de trabalho em função da essencialidade do serviço do transporte público", afirmou.

Licitação. Na terça-feira, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores do Transporte Rodoviário Urbano da capital, Valdevan Noventa ameaçou fazer greve diante da possibilidade de demissões, por causa da nova licitação do transporte. "Vamos acompanhar de perto. Não aceitamos a diminuição da frota porque causa demissões. O número que se está falando é entre 2 mil a 3 mil ônibus a menos. É prejudicial aos trabalhadores e à população, que vive reclamando de lotação e demora", disse.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (SPUrbanuss), Francisco Christovam, confirmou a expectativa de redução da frota. "O que há hoje é uma tremenda sobreposição de linhas. Não há porque manter essa ineficiência", disse, afirmando esperar que o novo modelo seja mais "racional". "Mas menos ônibus não significa prejuízo para o usuário", ressaltou, ao afirmar que a redução do número de ônibus não deve atingir empregos.

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