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Haddad não cumpre meta dos 400 quilômetros de ciclovias

Promessa era até final de 2015; gestão alega ações de TCM e MP e afirma que número será alcançado até dezembro deste ano

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2016 | 05h00

SÃO PAULO - A promessa de fazer 400 quilômetros de ciclovias até o fim de 2015 não foi cumprida pela gestão Fernando Haddad (PT), que agora fala em alcançar a meta até o fim deste ano. O atraso, de acordo com a Prefeitura, é resultado de questionamentos à política do prefeito feitos pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) e pelo Ministério Público Estadual (MPE).

O objetivo de terminar 2015 com 400 km de ciclovias foi assumido em 2013, quando a Prefeitura passou a intensificar a instalação das faixas. O número, entretanto, já estava no plano de metas do prefeito, mas com prazo de cumprimento para o fim deste ano – assim como as demais metas.

Atualmente, de acordo com dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a cidade tem 328,2 quilômetros de ciclovias. Esse número não inclui ciclovias que já estão prontas e disponíveis aos usuários, como por exemplo a da Rua da Consolação, entre a Praça Roosevelt e a Avenida Paulista, mas que ainda não foi inaugurada oficialmente pela Prefeitura.

Em outros pontos, como na Avenida Pedroso de Morais, em Pinheiros, zona oeste, a obra teve de ser paralisada “para análise da qualidade do material utilizado na implementação, o que ocasionou atrasos pontuais, mas já foi retomada”, segundo informou a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. Os valores pagos pela Prefeitura ali chegaram a ser questionados pelo TCM, que não comprovou, no entanto, nenhuma suspeita de irregularidade.

Justificativa. A gestão Haddad reconhece que não cumpriu a promessa, mas diz que deve superá-la até o fim do mandato. “O cronograma de implementação de 400 quilômetros de malha cicloviária na cidade de São Paulo foi estendido para o fim de 2016. A alteração se deu por uma série de fatores que afetaram as ações da Prefeitura na área, com questionamentos do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Município”, afirma a nota da Secretaria Executiva de Comunicação.

No texto, a Prefeitura diz ainda que a atual gestão é responsável pela instalação de 277 quilômetros da malha cicloviária e ainda há projetos para a construção de mais 139,8 quilômetros, ultrapassando a meta inicial de campanha, “com projetos que atenderão bairros como Parelheiros e Capela do Socorro (na zona sul), Vila Maria, Vila Guilherme e Cachoeirinha (na zona norte), São Miguel e Aricanduva (na zona leste)”.

Para lembrar. O juiz Luiz Fernando Rodrigues Guerra proibiu, em março passado, que a Prefeitura prosseguisse com as obras de ciclovias. Ele atendeu a pedido da promotora de Justiça Camila Mansour Magalhães da Silveira, que alegava “falta de planejamento” do projeto e chegou a falar em desmontar a ciclovia da Avenida Paulista. A decisão liminar foi derrubada pelo presidente do Tribunal de Justiça, José Renato Nalini, e na sequência pelos demais desembargadores.

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