Alex Silva/AE
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Haddad manda secretariado buscar parcerias e pedirá apoio de empresas

Para cumprir um plano avaliado em mais de R$ 20 bilhões, novo prefeito terá de angariar recursos de Estado, União e iniciativa privada

Adriana Ferraz, Diego Zanchetta, de O Estado de S. Paulo,

29 de dezembro de 2012 | 21h19

O time de 26 secretários municipais indicados pelo prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), não terá apenas a missão de administrar recursos públicos de acordo com compromissos firmados em campanha. A partir de terça-feira, eles terão também a função de buscar verba para engordar o caixa. A primeira ordem é mapear possíveis convênios com a União e o Estado.

 

O segundo passo também já está traçado. Para cumprir o ousado plano de governo aprovado nas urnas, avaliado em mais de R$ 20 bilhões, Haddad espera ter o apoio da iniciativa privada. E para essa busca vê no secretário municipal de Finanças, Marcos Cruz, seu principal aliado. Ex-sócio da consultoria McKinsey, o executivo de 37 anos é considerado uma das peças-chave da gestão. Foi escalado para desenvolver um plano de negócios que una a força da máquina pública com a agilidade empresarial.

 

Indicado pelo industrial Jorge Gerdau, criador do Movimento Brasil Competitivo (MBC) – grupo de empresários que busca desenvolver programas de eficiência em todas as esferas de governo –, Cruz tem o aval da presidente Dilma Rousseff, que defende uma política de otimização de recursos. No governo federal, acordo recente entre o MBC e o Ministério do Planejamento rendeu uma auditoria informal, comandada pelo secretário.

 

Experiente, o novo secretário tem trânsito livre entre líderes partidários do País. Além do PT, já prestou serviços ao PSDB de Minas, ao PMDB do Rio e ao PSB de Pernambuco. Discreto, é avesso a entrevistas, mas sabe como prender a atenção de um grupo de empresários. Aos colegas, costuma dizer que gestão benfeita é o que assegura uma reeleição.

 

Para aproveitar a influência do executivo no meio empresarial, Haddad entregou a Cruz a missão de firmar parceiras público-privadas (PPPs) para áreas essenciais, como transportes e habitação. No início de dezembro, a convite da Odebrecht, visitou as obras do Porto Maravilha, projeto de revitalização da zona portuária do Rio, consideradas modelo para São Paulo.

 

Elite. Paula Motta Lara será a representante feminina de Haddad no “grupo de elite” do governo. Escolhida para comandar a Secretaria Municipal de Controle Urbano, a arquiteta e urbanista terá a função de moralizar um dos setores mais concorridos da cidade, o Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov), responsável pela liberação de prédios na cidade e envolvido em escândalos de corrupção durante a gestão de Gilberto Kassab (PSD).

 

Apesar de não ser filiada ao PT, Paula ocupou cargo de confiança no governo federal. Até o convite de Haddad, era secretária do Patrimônio da União. Experiente, volta à capital com a “bênção” do mercado imobiliário e com a obrigação de fazer andar processos parados no Aprov desde a saída de Hussain Aref Saab, o ex-dirigente do departamento investigado por ter acumulado 125 imóveis no período que esteve à frente do órgão (2005-2012).

 

Na lista de funções assumidas está ainda a reorganização dos processos de licenciamentos na cidade, a partir da definição de novas regras de uso e ocupação do solo – prioridade zero da gestão, juntamente com a elaboração do novo Plano Diretor.

 

No primeiro escalão da administração petista, além dos comandantes das pastas essenciais, como Saúde, Educação e Transportes, um outro nome deve se destacar nos próximos quatro anos: Fernando de Mello Franco, eleito para a pasta de Desenvolvimento Urbano. Será ele o responsável pelo desenvolvimento do que Haddad chama de sonho: requalificar o centro de São Paulo a partir da operação urbana no entorno do Rio Tietê.

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