Haddad elogia Kassab e prega união

Na diplomação, prefeito eleito diz que a atual gestão dá exemplo de democracia na transição; trabalho sinaliza convergência na Câmara

ADRIANA FERRAZ , DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h02

Diplomado prefeito de São Paulo ontem, Fernando Haddad (PT) elogiou a "conduta republicana" de Gilberto Kassab (PSD) e pregou união pelo bem da cidade. Para o petista, a forma como a equipe de Kassab tem trabalhado o processo de transição precisa ser enaltecida como um modelo para a democracia.

"Quero dar um testemunho de que o prefeito tem conduzido (a transição) da maneira mais adequada, mais comprometida com o futuro da cidade. Na democracia, as divergências são discutidas durante as eleições. Depois, deve-se discutir as convergências. A cidade espera que busquemos o consenso", disse Haddad.

Com o diploma em mãos, o petista sinalizou que não pretende fazer um confronto de gestão. Pelo contrário, afirmou que em uma democracia não se pode falar em descontinuidade e já avisou que vai usar a cartela de projetos que herdará de seu antecessor. "O que está funcionando bem será mantido", afirmou.

As palavras agradaram à bancada do PSD, que deve compor a base do futuro governo na Câmara Municipal. Serão oito vereadores com poder de alterar a balança na aprovação de projetos que exigem ampla maioria, como o novo Plano Diretor. Líder do partido na Casa, Marco Aurélio Cunha comentou a posição de Haddad. "Não tem motivos para criticar o Kassab. Foi um governo excelente, que a sociedade vai saber reconhecer."

Além de Haddad, foram diplomados ontem os 55 vereadores eleitos em outubro. Ovacionado pelos colegas, Roberto Tripoli (PV), que com 132 mil votos foi o mais votado, pediu respeito ao trabalho do Poder Legislativo durante seu discurso. Segundo ele, a responsabilidade do cargo é "exuberante".

Tarifa. A primeira tarefa dos parlamentares já está programada. Haddad avisou ontem que sua equipe vai elaborar, já nos primeiros dias de governo, o projeto de lei para dar aval ao aumento da passagem de ônibus em São Paulo.

"Vamos estudar as planilhas de custo e ver o que podemos fazer", disse Haddad. "Por razões operacionais", o prefeito eleito cogita aceitar a proposta do governo estadual de programar o reajuste municipal simultaneamente com o reajuste de metrô e trem, que geralmente ocorre entre fevereiro e março.

O tema Transportes ainda deve render a primeira mudança no Orçamento aprovado anteontem pela Câmara. A proposta final não contemplou uma das principais promessas de campanha: a criação do bilhete único mensal, com estimativa de custar R$ 400 milhões.

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