Werther Santana/Estadão
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Haddad e prefeitos do PT discutem tarifa de ônibus entre R$ 3,40 e R$ 3,50

Chefes do Executivo de oito cidades da Grande São Paulo se reuniram na sede da Prefeitura para debater aumento da passagem

Diego Zanchetta e William Castanho, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Reunidos na Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e prefeitos petistas de sete cidades da região metropolitana discutiram nesta terça-feira, 18, uma “tarifa única” para os ônibus em 2015. O Estado apurou que o valor estudado fica entre R$ 3,40 e R$ 3,50. A proposta deverá ser levada ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) na terça-feira, durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano, para um possível aumento com o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Os petistas almoçaram com Haddad no Edifício Matarazzo, sede do Executivo. À noite, após o encontro e o Estado revelar, no portal, o teor da reunião - a tarifa de ônibus e a crise hídrica na Grande São Paulo -, o prefeito da capital confirmou que os assuntos foram debatidos. Ele disse, porém, que a decisão vai depender do resultado da auditoria na conta do setor de transportes, previsto para o dia 10 de dezembro. 

“Quando essa questão (da necessidade do aumento da tarifa) foi colocada, São Paulo disse o seguinte: nós fizemos um processo de auditoria, nós não vamos discutir esse assunto antes de receber o resultado. Então, a gente pode até se reunir, mas eu não sentei com o governador, eu não recebi a auditoria. O tema que mais importa é a questão da água”, disse Haddad. Ouça abaixo a declaração do prefeito:

O prefeito de Embu das Artes, Chico Brito (PT), escalado para ser o “porta-voz” dos petistas após o almoço, afirmou, porém, que a tarifa é um dos temas a ser levados a Alckmin. 

“O tema da mobilidade e da tarifa são pautas que queremos levar (ao governador) na instância do Conselho (de Desenvolvimento Metropolitano). Queremos dar força e musculatura ao conselho, porque são pautas conjuntas”, afirmou. Ele também confirmou que a crise hídrica esteve na pauta. “A gente debateu o assunto da água, que é a questão mais emergencial.”

Com o pagamento anual de mais de R$ 3,5 bilhões em subsídios para empresas de ônibus, prefeituras de cidades como São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo e Guarulhos estão com a capacidade de investimento em novas obras reduzida em até 40% por causa da manutenção do preço da tarifa de ônibus a R$ 3. Após os protestos de junho do ano passado, liderados pelo Movimento Passe Livre (MPL), as passagens foram reduzidas. Na capital, a tarifa está congelada desde 2011.

Alto custo. Técnicos da Secretaria Municipal dos Transportes consideram difícil pagar R$ 2 bilhões para viações e cooperativas de vans da capital em 2015 - teto mínimo para conseguir bancar os custos de operação de 14 mil ônibus e 6 mil peruas sem aumento de tarifa, conforme projeção da Comissão de Finanças da Câmara Municipal.

O valor reservado pela Prefeitura aos subsídios em 2015, de R$ 1,4 bilhão, já representa 37% de todo o orçamento para novas obras. Para manter o valor sem suplementações, a tarifa precisa ser reajustada a, no mínimo, R$ 3,40. Neste ano, os subsídios chegarão a R$ 1,7 bilhão. 

O Estado apurou que as prefeituras de Santo André, Mauá, São Bernardo do Campo e Franco da Rocha consideram “insustentável” manter a tarifa sem reajuste por mais um ano. Em São Bernardo do Campo, o aumento já está previsto. 

Água. No encontro com Haddad também estavam presentes os prefeitos ou representantes de Guarulhos (Sebastião Almeida), Osasco (Jorge Lapas), Carapicuíba (Sérgio Ribeiro), Franco da Rocha (Kiko Celeguin), Santo André (Carlos Grana) e São Bernardo do Campo (Luiz Marinho). Guarulhos apresentou uma medida que pode evitar o colapso no abastecimento da cidade, com a possibilidade de tratar água de esgoto.

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