Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Haddad diz que sem Donato a quadrilha do ISS não teria sido descoberta

Em evento do PT, o prefeito defendeu o ex-secretário, que se afastou da Prefeitura após ter seu nome envolvido nas investigações da máfia do ISS

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

28 Novembro 2013 | 21h08

Em ato na noite desta quinta-feira, 28, que reuniu o prefeito Fernando Haddad, a maior parte dos secretários de sua gestão e dezenas de deputados, o PT de São Paulo defendeu ontem o ex-homem forte do governo Antonio Donato (PT), citado na investigação do Ministério Público Estadual (MPE) sobre a quadrilha que desviou recursos do ISS da Prefeitura.

No momento em que Donato fazia um discurso em defesa das bandeiras da atual gestão municipal, o prefeito chegou e foi aplaudido de pé.

Donato seguiu seu discurso, agradeceu ao prefeito seu apoio, disse que a decisão de sair foi sua e cobrou a responsabilidade das empreiteiras no escândalo. Donato saiu da Prefeitura no dia 12 de novembro, após seu nome aparecer nas investigações do Ministério Público sobre um esquema de máfia do ISS - ele voltou a ser vereador. "Se for para unir o PT, minha saída já vai ter valido a pena. Estamos em momento de radicalizar a luta política."

O vereador também voltou a defender sua inocência, sob aplausos calorosos. "Quero também deixar claro minha confiança no atual governo. Vamos ter o bilhete único mensal, mudamos o projeto pedagógico das escolas, e o que o PSDB fez? Só tentou fazer cópias."

Haddad saiu em defesa de seu ex-secretário. "Vocês não tenham dúvida que nós vamos honrar nossos compromissos com São Paulo. A cidade compreendeu nossa mensagem. Esse projeto vai desabrochar, apesar deles (PSDB)", afirmou Haddad. "Quando eu vim pra cá eu fiquei pensando no que eu vou dizer. E eu só posso dizer o que eu vi, os fatos. A pessoa que mais se empenhou nesse governo, a pessoa que deu impulso às investigações, foi Antonio Donato. Foi ele que tornou a investigação possível."

Inflamado e com gritos nunca feitos em discursos nas suas agendas como prefeito, Haddad disse que a quadrilha do ISS não teria sido descoberta se não fosse o empenho de Donato em dar estrutura à Controladoria Geral. Haddad lembrou que Donato mora em um apartamento de 50 metros quadrados no Campo Limpo, na periferia da zona sul.

Jilmar Tatto, Cândido Vaccarezza, Ricardo Berzoini, Carlos Zarattini, Rui Falcão, entre outras estrelas petistas, participaram do evento e ressaltaram a importância de Donato na eleição de Haddad, quando o vereador foi coordenador de campanha. José Américo, presidente da Câmara, fez um dos discursos mais inflamados e chamou de "safado" o fiscal Eduardo Horle Barcellos, que disse ter dado mesada de 20 mil para Donato entre 2011 e 2012.

Berzoini também cobrou a responsabilização das empresas que participavam da fraude. "Donato provou que é um homem de projeto político. Preferiu deixar o governo para fazer sua defesa no legislativo e não atrapalhar uma função tao importante como a dele", disse.

O ato também foi marcado por ataques dos petistas ao PSDB e à imprensa. "O escândalo na Prefeitura começou em 2005, todo mundo sabe disse. e foi o governo Haddad que descobriu. mas, para praticar o diversionismo, aparece uma testemunha e acusa o Donato,e a imprensa da isso como escândalo", disparou Berzoini.

Cerca de 400 militantes lotaram a sede do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo. Todos ganharam panfletos com as argumentações do vereador contra as acusações feitas em três depoimentos ao MP. Lideranças do PMDB, do PTB, do PSB e do PHS também saíram em defesa de Donato. "São denúncias infundadas, o Donato sempre foi um exemplo de dignidade para todos nós", falou Celso Jatene (PTB), secretário de Esportes.

Rui Falcão, presidente nacional do PT, chamou de "canalhas" os suspeitos que acusaram Donato de receber mesada com dinheiro da fraude do ISS. "Acertaram o coração do nosso governo. A cidade de São Paulo e o Haddad devem muito ao Donato. Eu fui contra a saída dele do governo. Precisamos preencher esse lugar do Donato com muito cuidado, muita consulta", disse Falcão. "Aqui não é só um ato de solidariedade. É um ato político. Temos uma disputa forte no ano que vem e a disputa por São Paulo. Tudo o que nós pudermos fazer para dar a vitória de 2014 ao Donato nós temos de fazer."

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