Werther Santana/Estadão
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Haddad diz que Plano Diretor derrota especuladores e faz SP 'entrar no século 21'

Segundo o prefeito, o projeto é o mais avançado desde a gestão de Prestes Maia, nos anos 1930

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

01 Julho 2014 | 11h43

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) disse nesta terça-feira, 1, que o Plano Diretor aprovado pela Câmara Municipal é o projeto "mais avançado que São Paulo já teve desde Prestes Maia", em referência ao seu antecessor no cargo, que, nos anos 1930, propôs uma reorganização viária na capital paulista, com a construção de grandes avenidas concêntricas e radiais -- uma proposição hoje criticada, por dar enfoque ao modelo rodoviário de urbanização, baseado nos meios de transporte individual, como o carro. O plano orientará aspectos urbanísticos da metrópole pelos próximos 16 anos.

Ainda segundo o petista, a cidade "entrou na modernidade". "Estamos saindo do começo do século 20 e indo para o século 21." Haddad afirmou que o mercado imobiliário e os especuladores de terra sabem que perderam com o Plano Diretor e que não poderão mais especular com a terra. "Então, muitos devem ter tomado a providência de vender os seus imóveis antes da aprovação do Plano Diretor, porque antes, quanto mais tempo eu ficava com a terra, mais eu ganhava em cima da cidade."

De acordo com ele, o plano trouxe mudanças nesse sentido. "Agora, não. Nós municipalizamos o direito de construir, agora, é do cidadão o potencial construtivo dos terrenos. Não é mais do especulador imobiliário. O preço da terra tende a cair, porque não é mais uma prerrogativa do especulador manter a terra reservada até que ela atinja um valor elevado para que depois ele possa pensar em aliená-la. Até porque vamos utilizar o IPTU progressivo no tempo. Aqueles que continuarem especulando com a terra serão punidos com imposto progressivo."

Transportes. Sobre o fato de que o Plano Diretor prevê o adensamento das imediações de eixos de transporte público de massa, como linhas de metrô e trem e corredores de ônibus, Haddad falou que isso provocará menos dependência de grandes deslocamentos entre a moradia das pessoas e os seus postos de trabalho. Algo verificado atualmente, por exemplo, na Linha 3-Vermelha do Metrô, com os chamados movimentos pendulares -- muita gente utilizando-a para ir trabalhar na região central durante a manhã e fazendo o caminho inverso no fim do dia.

"Quando você aproxima o morador do posto de trabalho diminui o percurso que ele vai ter que percorrer. Hoje as pessoas percorrem longos trajetos, incompatíveis com uma cidade organizada. Quando você está numa cidade desenvolvida você não percorre tão longos trajetos como aqui, 20 ou 30 km distante de seu posto de trabalho. Quando você adensa os eixos de mobilidade, você vai levar o emprego para a periferia e trazer moradias para o centro, você vai equilibrar a cidade. Ao invés de andar 20 ou 30 km, você vai reduzir para 5, e isso vai desonerar a necessidade de tanto transporte."

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