Haddad diz que 'pelotão ninja' busca equilíbrio na ação em protestos

Prefeito afirma que novo cenário de manifestações de ruim exigem novas abordagens, mas defende equilíbrio na ação da PM

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2014 | 14h42

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse nesta terça-feira, 25, que o "pelotão ninja" usado pela Polícia Militar no protesto contra a Copa no último sábado, no centro da capital, é uma abordagem que está sendo testada para se chegar a um equilíbrio na ação policial durante as manifestações de rua na cidade.

"Diante de um cenário novo, novas abordagens terão de ser testadas para se chegar num equilíbrio, em que o direito de manifestação seja garantido, sem nenhuma dúvida, porque isso é constitucional, mas que não haja nenhum abuso por parte das forças de segurança. Esse equilíbrio é difícil de ser atingido, mas deve ser perseguido incansavelmente", disse Haddad.

A nova estratégia da PM consiste em usar policiais especializados em artes marciais para fechar um cerco em manifestantes adeptos da tática black bloc e evitar atos de vandalismo sem usar armas químicas. No sábado, policiais detiveram 262 pessoas, a maioria sem máscaras, e as encaminharam para averiguação. A ação ocorreu antes de qualquer depredação. 

"O próprio governo federal manifestou interesse em conhecer isso e aperfeiçoar. Entendo que qualquer atitude que venha a enfraquecer a mobilização e o poder de organização de livre expressão é ruim, mas nós temos que compreender, por outro lado, que a população rejeita, e com razão, depredação de patrimônio público, depredação de patrimônio privado, colocação de pessoas em risco, como aconteceu no Rio de Janeiro, com a morte de um jornalista", disse Haddad.

Para o governo Geraldo Alckmin (PSDB), a ação da polícia no sábado foi "exitosa" porque reduziu o número de danos ao patrimônio (duas agências bancárias), de policiais e civis feridos (8) e de confrontos. A Corregedoria da PM, porém, instaurou inquérito para apurar os casos de agressões e detenções de jornalistas durante a cobertura do protesto. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), 14 profissionais foram vítimas da polícia. 

 

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