Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Haddad diz que pedestres e ciclistas 'sabem se resolver'

Prefeito comentou críticas à ciclovia no Minhocão; segundo ele, serão instaladas grades de proteção nos pontos de ônibus

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 13h34

Atualizada às 21h50

SÃO PAULO - A três dias da inauguração da ciclovia no canteiro central das Avenidas Amaral Gurgel e São João, embaixo do Elevado Costa e Silva, no centro da capital, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse estar confiante na capacidade de adaptação de pedestres, ciclistas e passageiros de ônibus para evitar colisões. Para Haddad, “as pessoas sabem se resolver”. 

Nesta quinta-feira, 6, o Estado mostrou que, antes mesmo da inauguração, marcada para domingo, há conflito e risco tanto para quem está a pé quanto para os que trafegam sobre rodas no local. Ao longo dos 3,5 quilômetros de faixas para bikes há seis pontos de parada, 31 pilastras e diversas bifurcações nas vias exclusivas.

Segundo Haddad, a Prefeitura vai instalar grades de proteção nos pontos de ônibus da via, nos moldes do que já é feito na ciclovia da Avenida Paulista para separar ciclistas e pedestres. “Na Paulista tem alguns locais com grade, que é justamente para garantir que esse suposto conflito seja equacionado”, disse. O prefeito não confirmou se a proteção da ciclovia na Amaral Gurgel estará instalada na data de inauguração. As barras de ferro vão proporcionar somente a “sensação de segurança”, de acordo com o prefeito. 

“Não vejo problema de conflito entre pedestre e ciclista. As pessoas sabem se resolver”, afirmou. “Na (Avenida) Sumaré, temos esse tipo de situação e não há nenhum problema. O maior risco que existe é aquele que não está sendo divulgado, que é o ciclista na rua. Esse é o maior risco que nós temos na cidade. O ciclista no viário é um risco. E com a ciclovia isso vai acabar.”

Questionado se o risco passa a ser do pedestre, ao disputar espaço no canteiro central com os ciclistas, Haddad limitou-se a dizer que “isso é o que está sendo apontado, mas não tem acontecido”. O prefeito criticou a imprensa que, segundo ele, tem “apostado” nesse tipo de conflito nas ciclovias. “As manchetes dos jornais eram de que haveria conflitos entre pedestres e ciclistas. Essas apostas estão sendo desmentidas pelos fatos e isso tem acontecido reiteradamente. Alguém vai ter de desistir uma hora, não é? (Desistir) de apostar contra.”

Lado técnico. Para o mestre em transportes e professor da Fundação Educacional Inaciana (FEI), Creso de Franco Peixoto, os acidentes que podem acontecer no local oferecem risco de baixo a moderado, considerando que a velocidade média do ciclista é de 10km/h e do pedestre, de 4km/h. “Os atritos vão ser provavelmente frequentes. Mas não creio que tenham gravidade”, afirmou. 

Uma forma de evitar as colisões, de acordo com o técnico, é fazer o rebaixamento do nível da ciclovia em cerca de 15 centímetros, para diferenciar o espaço do pedestre e do ciclista. O especialista sugere ainda que, caso a Prefeitura use somente as grades de ferro, a cor deve ser amarela, e não preta, como a da proteção da ciclovia na Paulista.

A Companhia de Engenharia do Trânsito (CET) distribuirá no próximo domingo, durante inauguração da via exclusiva, folhetos de orientação para “promover a harmonia” sob o Minhocão.

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