Passe valerá para 48 viagens ao longo do mês
Passe valerá para 48 viagens ao longo do mês

Haddad diz que 'passe livre' de estudante começa a valer dia 6

Prefeitura disse que medida valerá para um total de 48 viagens por mês e não para quantidade ilimitada de deslocamentos

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2014 | 12h50

Atualizada às 19h30

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT), sem agendas públicas nos últimos dias, apareceu em entrevista ao telejornal SPTV, da Rede Globo, nesta terça-feira, 30, onde anunciou que o "passe livre" para os estudantes da rede pública da capital paulista começa a valer no próximo dia 6 de janeiro e que a vantagem valerá para várias viagens além da que é entre a escola e a casa dos alunos. De acordo com a Prefeitura, as regras continuam as mesmas e haverá um limite de 48 viagens por mês. Caso o estudante ultrapasse a cota, ele terá que pagar a tarifa do próprio bolso. Haddad ainda negou que o aumento do valor da passagem para os demais usuários, de R$ 3 para R$ 3,50, servirá para cobrir o novo benefício.

"No caso dos ônibus, o passe livre começa a valer para os estudantes (no dia 6). Nós aprovamos na Câmara a tempo de poder valer a partir de janeiro. Então, o estudante de escola pública, inclusive universidades públicas, e o estudante beneficiário de programas de acesso à educação, Fies e ProUni, o que representa quase metade das universidades particulares, a partir de 6 de janeiro podem obter o seu passe livre", afirmou Haddad.

O petista afirmou que o benefício será "integralmente custeado" pelos cofres da Prefeitura, mas não citou valores. "Toda gratuidade é pega pela Prefeitura. Eu, neste ano, aprovei o "passe livre" para o idoso." O dirigente lembrou, na entrevista, que foi ministro da Educação e disse que a política do "passe livre" para estudantes é uma continuação de seus esforços para ampliar o acesso ao ensino superior, com programas como o ProUni e o Fies. 

"O que aconteceu? Muita gente de baixa renda entrou na universidade. Então, é um complemento necessário para a educação. Todo estudante de escola pública, mesmo que more do lado da escola, vai ganhar o passe livre estudantil. Mesmo que esteja a 100 metros da escola dele. Não tem problema, porque além de ir para escola, vai poder ir para museus, CDCs (clubes municipais), parques. Não queremos que ele use o passe livre só para ir para a escola."

Benefício limitado. Apesar dessa fala do prefeito, que pode dar margem à interpretação de que as viagens poderiam ser ilimitadas, a Prefeitura informou que o "passe livre" para estudantes não será pleno. Ele valerá para apenas 48 viagens ao longo do mês. Ou seja, será igual ao passe estudantil que funciona hoje para o desconto de meia passagem.

Uma das principais promessas de Haddad na campanha, a modalidade temporal do Bilhete Único (que inclui os cartões diário, semanal e diário), deve ser fortalecida com o aumento da tarifa para R$ 3,50. Na televisão, Haddad afirmou que como o preço dos cartões temporais será mantido, mais pessoas, principalmente trabalhadores que usam vale-transporte devem migrar para esse sistema. Ele falou em "induzir" tanto trabalhadores quanto empregadores a adotarem esse tipo de serviço.

"Agora é muito vantajoso o Bilhete Único Mensal, que não teve o seu valor alterado. Você, que tem o vale-transporte ou compra, não compre mais o bilhete unitário, porque ele é que teve o seu preço majorado. Todos os outros bilhetes não tiveram aumento."

Hoje, o Bilhete Único Mensal só para ônibus ou só para metrô e trens, por exemplo, custa R$ 140, o que equivale a 46 viagens de R$ 3, quer dizer, a ida e volta ao trabalho por 23 dias úteis do mês. Apesar disso, há quem critique a medida, afirmando que as pessoas terão que desembolsar adiantado centenas de reais no início do mês para fazer a compra total dos créditos.

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