Haddad diz que delegado ajudou quadrilha do ISS

Policial não teve a identidade revelada, mas testemunha afirma que ele teria cobrado R$ 7 mil por fiscal para revelar investigações

O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2013 | 02h10

O prefeito Fernando Haddad confirmou ontem que um delegado da Polícia Civil foi relacionado à Máfia do Imposto sobre Serviços (ISS). Segundo ele, o Ministério Público Estadual (MPE) investiga o caso.

O delegado ainda não teve a identidade revelada. "Existe o depoimento de uma testemunha, cujo anonimato está garantindo sua segurança, de que há um delegado envolvido com a máfia do ISS", disse Haddad, durante agenda na zona norte de São Paulo.

O Estado revelou, no dia 15, que uma testemunha ouvida pelo Ministério Público Estadual relatou que o fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como líder da quadrilha, tinha recebido a informação de um colega, tido como "um bom amigo", de que diversos servidores municipais estariam sendo investigados pela Polícia Civil. Tanto Rodrigues quanto o fiscal Eduardo Horle Barcellos, que trabalhava com Rodrigues no 11.º andar do Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura (e assinou acordo de delação premiada), pediram ajuda a um delegado da Polícia Civil.

Para fazer uma busca nos registros da polícia e apurar se os fiscais - ou os demais integrantes da quadrilha - estavam na suposta lista de investigados, o delegado teria cobrado R$ 7 mil de cada um dos fiscais.

Ainda segundo a testemunha, ambos pagaram o valor pedido pelo delegado. No depoimento da testemunha, cuja identidade foi protegida pelo MP, ela declarou que não sabia identificar a qual departamento pertencia o policial. O caso é apurado pelo Grupo de Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público Estadual, juntamente com todas as denúncias que surgiram nas investigações da máfia do ISS. A Corregedoria da Polícia Civil informou que pediria à Prefeitura as informações do caso para iniciar uma investigação própria.

Investigações. Três órgãos investigam a máfia do ISS. O primeiro é a Controladoria-Geral do Município (CGM), vinculado à Prefeitura, que apurou os primeiros fatos. O segundo é a Polícia Civil. A 4.ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Crimes de Lavagem ou Ocultação de Bens e Valores, subordinada à Delegacia de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), deu apoio às operações que resultaram na prisão temporária de quatro dos acusados, ocorrida no dia 30.

Por último, há o Ministério Público Estadual. No MPE, há investigações nos âmbitos cível e criminal. No criminal, as investigações são conduzidas pelo Gedec. O grupo tem uma lista de sete suspeitos: os auditores Ronilson Bezerra Rodrigues, Eduardo Horle Barcellos, Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral, Luis Alexandre Cardoso Magalhães. Amilcar Cançado Lemos e Fábio Remesso e o empresário Marco Aurélio Garcia (por de lavagem de dinheiro). Garcia é irmão do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia, ex-aliado do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Na esfera cível, os acusados são investigados por improbidade administrativa, ao lado de outros 40 servidores. Há um inquérito para apurar também sonegação de impostos.

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