Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Haddad diz que ampliação do rodízio pode não sair do papel

Segundo o prefeito, nem todos os técnicos da Prefeitura estão de acordo que a medida terá melhorias no médio prazo

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2014 | 14h56

Atualizada às 21h38

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou nesta segunda-feira, 16, que a ampliação do rodízio de veículos é uma questão controversa e que talvez não se justifique a médio prazo. É a primeira vez que o governo municipal admite que pode não expandir a restrição para outras vias de São Paulo, como anunciado no início do ano.

“A questão é controversa, isso está em análise. Há técnicos que estão colocando objeções, há outros que estão defendendo, mas isso é uma decisão técnica que precisa ser tomada com cautela, não de supetão, porque é uma coisa que vai impactar muito a cidade”, disse Haddad durante visita ao Centro Educacional Unificado (CEU) Casa Blanca, na zona sul.

De acordo com o prefeito, a ampliação dependerá de que a maioria dos profissionais da Secretaria Municipal dos Transportes esteja convencida de sua eficácia. Ele acrescentou que simulações por computador demonstraram que haveria, no princípio, uma melhoria no trânsito.

No fim do ano passado, a administração municipal havia informado que pretendia ampliar o rodízio para outros pontos da cidade. Hoje, a restrição só vigora dentro do centro expandido da capital. Com a extensão, 400 vias seriam contempladas, somando 371 km lineares, em todas as regiões. Dessa forma, avenidas como Brás Leme, Aricanduva, Professor Francisco Morato e Inajar de Souza teriam a proibição vigorando.

Em janeiro, o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, chegou a afirmar que a ampliação ocorreria no mês de abril, o que não se concretizou.

“Tem gente que conclui que o impacto inicial existiria, mas no médio prazo ele se perderia. Então, tem toda uma conta para fazer que não é só a instantaneidade da medida, você resolve de um dia para o outro, mas e no médio e longo prazo? Se a conclusão for de que o efeito no médio prazo é pequeno, talvez não justifique a medida. É isso o que está sendo analisado”, disse Haddad.

Eficácia. Para o engenheiro Horácio Augusto Figueira, especializado em Transportes na USP, o rodízio não tem mais eficácia. “A frota cresceu, por razões econômicas e crescimento vegetativo. Ao mesmo tempo, subestimaram a inteligência das pessoas, que compraram motos. O que se vende hoje é muita moto para quem vai trabalhar e estudar, não para os motoboys. É outro público que está migrando, é quem está se acidentando, se expondo ao risco. Não entendo por que ela não entra para o rodízio, já que polui tanto quanto o carro por quilo transportado.”

Ele defende que, se a Prefeitura decidir não expandir o rodízio, não deverá ceder, mantendo os carros longe das faixas e corredores exclusivos para ônibus. “As pessoas passarão a combinar caronas em seus condomínios, locais de trabalho, e a Prefeitura poderia criar faixas solidárias para esses veículos.”

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