JF Diorio/Estadão
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Haddad diz desconhecer gatilho para definir rodízio de água em SP

Prefeito afirma que não recebeu do governo estadual informação sobre um nível do Cantareira que estabeleça ou descarte medida

Ana Fernandes e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 14h54

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse na tarde desta sexta-feira, 20, não ter recebido qualquer informação do governo estadual ou da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) sobre o estudo de um gatilho - um nível a que chegue o Sistema Cantareira e demais mananciais que abastecem a Grande São Paulo - para definir se haverá ou não rodízio no abastecimento de água. 

Haddad, que participa de um comitê da crise hídrica com outros prefeitos da região metropolitana e representantes do governo estadual, disse que a questão também não foi levada para a última reunião do comitê na semana passada.

"Nós não fomos informados sobre gatilho ou nada nem próximo disso. Não houve nenhuma comunicação sobre o afastamento total da possibilidade de rodízio", disse o prefeito.

Conforme informou o Estado, o governo e a Sabesp estudam qual seria o nível do chamado gatilho que poderia evitar o rodízio oficial, mas não existe um consenso sobre o número a que teria que chegar a capacidade do Cantareira. Nesta sexta-feira, o nível o manancial completou 15 dias consecutivos de aumento e atingiu 10%.

A avaliação preponderante hoje na Sabesp é de que as chuvas de fevereiro ainda não foram suficientes para permitir uma perspectiva otimista.

Apesar de ter dito não saber sobre tal estudo e de ter liderado o movimento de prefeitos que pediram mais transparência ao governo estadual em torno da crise da água, Haddad relativizou a necessidade de o governo do Estado comunicar os eventuais estudos às prefeituras enquanto eles ainda estão em andamento.

O prefeito disse ainda que, em um prazo de trinta dias, o Estado levará às prefeituras um plano de contingência e que o único compromisso que o governador assumiu é de informar os municípios com antecedência, caso se estabeleça um rodízio. "O Estado é quem tem a competência técnica para definir essa medida (do gatilho). Para nós, o importante é ter clara uma divisão de tarefas."

O prefeito ressaltou que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) negou que haja a definição de um nível do Cantareira que seja determinante para se descartar o rodízio. "O governador negou a existência do gatilho. Como é que ele vai comunicar uma coisa com a qual ele não concorda", ponderou Haddad.

Nesta quinta-feira, 19, Alckmin negou que a Sabesp tenha chegado a um número que conteria a restrição mais drástica no fornecimento. "Não há nenhuma procedência nessa informação, nenhuma", disse.

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