Haddad descarta nova ação policial na Cracolândia

'Acredito na evolução da espécie; pessoas cometem novos erros, não antigos', disse; show de Paulinho da Viola, pelo aniversário de SP, reuniu 12 mil

O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2014 | 02h03

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou ontem que a ação da Polícia Civil na Cracolândia não teve impacto no Programa Operação Braços Abertos, da Prefeitura, e que acha pouco provável que haja novas ações policiais como a da última quinta-feira, na qual cinco pessoas ficaram feridas.

"Eu sempre acredito na evolução da espécie. O ser humano comete erros, mas novos, não os antigos", disse, durante a posse do Conselho Participativo Municipal, no Palácio de Convenções, no Anhembi.

Haddad afirmou que uma beneficiária do programa começa amanhã a trabalhar na copa do gabinete da Prefeitura. "A estratégia é movê-los de lugar, para que eles percam o hábito de verem aquele local (Cracolândia) como o único a ser frequentado." Segundo o prefeito, a mulher, que não teve o nome revelado, tem 42 anos, está grávida do sexto filho e a assistência da saúde viu nela potencial de recuperação de curto prazo. "Achamos que, pela condição dela, deveríamos tentar oferecer uma oportunidade já."

O ministro da Saúde e pré-candidato do PT ao governo do Estado, Alexandre Padilha, também criticou a ação da Polícia Civil na Cracolândia. Ele já tinha comentado o assunto na sexta-feira. "É muito difícil convencer e estimular um médico, enfermeiro ou agente de saúde a salvar a vida de pessoas quando ele está sob risco de levar bombas de gás ou sofrer qualquer tipo de agressão", afirmou. "Sou otimista de que o trabalho dos médicos possa continuar. É muito importante que eles tenham tranquilidade para continuar salvando vidas e espero que as ações da polícia sigam cada vez mais ações planejadas." Padilha falou após missa na Catedral da Sé, em homenagem aos 460 anos de São Paulo.

Durante a missa, o Comitê contra o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica promoveu ato do lado de fora da catedral. Thaize Salles, estudante de Letras de 20 anos, faz parte do Coletivo Negro da USP e apoiava o protesto, que reuniu cerca de 20 pessoas. "Preto e pobre sofre muito mais no Brasil", afirmou. A estudante disse que viu um mendigo ser proibido de entrar na igreja.

Festa. Paulinho da Viola fez o show mais esperado das comemorações. Cerca de 12 mil pessoas, segundo estimativa dos organizadores, foram à Praça da República, no centro. "Fiquei muito honrado e feliz com o convite para cantar aqui", disse ele ao Estado. "Tenho uma ligação muito forte com São Paulo. Tenho muitos amigos na cidade e venho regularmente aqui desde 1964; sinto-me em casa."

Paulinho cantou 20 músicas, em show de 1h15. "Ele é um gênio, um dos últimos grandes sambistas de verdade", disse Kadu Ayala, de 30 anos.

As barracas de gastronomia Chefs na Rua, no centro, também fizeram sucesso ontem. A aposentada Suzeli Mota, de 54 anos, prestigiava o evento pela segunda vez. Na primeira, durante a Virada Cultural de 2011, houve confusão. "Hoje está organizado", elogiou. Carla Baldin, de 28 anos, e Leonardo Baldin, de 29, levaram a filha, Fernanda, de 4. "É um jeito de provar algo diferente", disse Carla. / HERTON ESCOBAR, MONICA REOLOM E LAURA MAIA DE CASTRO

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