Haddad defende secretário: 'É preciso cuidado com vazamento de escutas'

Ao falar à Rádio Estadão sobre citação a Donato, prefeito lembra interceptação que liga Kassab ao imóvel usado pelos acusados: 'Investigamos e descobrimos que a sala não é do prefeito'

O Estado de S. Paulo

04 Novembro 2013 | 10h48

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse em entrevista à Rádio Estadão nesta segunda-feira, 4, que é preciso tomar "uma série de cuidados" com o "vazamento de escutas" da investigação que desmontou esquema suspeito de desviar até R$ 500 milhões dos cofres da Prefeitura. Em escuta autorizada pela Justiça, o secretário de Governo de Haddad, Antonio Donato, é citado pelo recebimento de R$ 200 mil do auditor Luis Alexandre Camargo Magalhães, um dos quatro servidores presos na semana passada. O prefeito disse ter conversado duas vezes no domingo com Donato, que nega relação com os acusados.

Ao defender o secretário, Haddad citou escuta que liga a sala usada pelos acusados ao ex-prefeito Gilberto Kassab (PSB). "Nós estávamos investigando isso e descobrimos que a sala não era do prefeito Kassab", disse o prefeito. "Nós temos que sobretudo neste momento levar em consideração tudo o que vier à tona para que a gente pise em solo firme e consiga punir quem realmente tem de ser punido".

Haddad disse que o trabalho da Controladoria-Geral do Município (órgão da Prefeitura que, junto com o Ministério Público Estadual, conduziu as investigações) vai ser "muito frutífero" para a cidade de São Paulo e que, por se tratar de um "caso enorme", haverá mais novidades. "Vamos atuar com toda inteligência disponível para botar ordem na Prefeitura de São Paulo."

O prefeito afirmou ainda que se pode esperar uma recuperação do dinheiro que não entrou nos cofres públicos. "Os bens estão bloqueados. Já há R$ 80 milhões em patrimônio imobiliário que está bloqueado. Podemos reaver esse recurso".

Segundo Haddad, a partir desta semana, as construtoras que pagaram propina serão chamadas na Prefeitura. "Chantageada ou não, a empresa que pagou propina terá que pagar o que deve à Prefeitura. No direito se diz que 'quem paga mal, paga duas vezes’", disse.

Corrupção. No dia 30, os quatro suspeitos de operar o esquema de propina envolvendo o Imposto Sobre Serviços (ISS) foram presos. Os servidores tinham carros de luxo, imóveis e pousada. Um dos presos, Luis Alexandre Magalhães, firmou a delação premiada com o Ministério Público. Ele detalha o esquema e mostra que há mais envolvidos. Uma das construtoras envolvidas no caso, a incorporadora Brookfield diz ter pago R$ 4,1 milhões.

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