Rafael Arbex/Estadão
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Haddad critica OAB e defende 50 km/h

Prefeito comemorou redução de acidentes e congestionamento na cidade apontada por relatório da CET e negou efeito de crise

Bruno Ribeiro e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) disse nesta quarta-feira, 16, que ficou surpreso com a queda de 36% dos acidentes com vítimas nas Marginais do Tietê e do Pinheiros após a redução dos limites de velocidades. Conforme o Estado antecipou, houve queda de 8% nos índices de congestionamento nas Marginais e de 6% na cidade, segundo medição da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Haddad defendeu a medida e criticou a ação judicial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra a redução da velocidade para até 50 km/h nas vias.

“A prática está confirmando a teoria. Surpreende a queda do número de acidentes com vítimas, pois 36% é uma queda drástica, muito forte. Mais do que a experiência internacional, isso significa dizer que estava muito mal calibrada a velocidade nas Marginais, antes de a medida ter sido tomada”, disse Haddad.

O prefeito criticou a hipótese de especialistas ouvido pelo Estado, de que os índices positivos podem estar ligados à crise econômica, que teria resultado em menos viagens. “A recessão em São Paulo não é deste ano. O PIB paulista caiu 2% em 2014. Se esse argumento é válido, por que os acidentes e a lentidão não caíram no ano passado?”

Haddad voltou a criticar a OAB, que tentou barrar a redução da velocidade na Justiça. “Eu dizia ‘Meu Deus do céu! De onde veio o tiro?’ Dos advogados. Jamais esperaria que a reação viesse da OAB”, disse. 

O presidente da OAB, Marcos da Costa, manteve as críticas que tem feito. Para ele, a população deveria “ter sido ouvida”, antes de a medida valer.

O engenheiro de sistemas Marcelo Blumenfeld, doutorando da Universidade de Birminghan, na Inglaterra, ressalta que há relação direta entre redução de velocidade e queda nos congestionamentos. “A distância entre carros diminui à medida que os carros trafegam em velocidades menores. As velocidades menores reduzem as oscilações - aceleração e frenagem - para se manter atrás do carro da frente. Essas oscilações causam as ondas de congestionamento, pois o carro de trás progressivamente freia mais do que o da frente, até que o último pare por completo. Por fim, a redução das velocidades diminui os acidentes.” Ele diz que só uma análise de fluxos pode indicar se as vias têm menos carros agora.

Maplink. Uma análise do trânsito feita com base no monitoramento de aparelhos GPS que circulam na cidade, feita pela empresa Maplink a pedido do Estado, mostra aumento de 22% nas médias dos congestionamentos, após a adoção dos novos limites - na comparação com mesmo período do ano passado, o trânsito foi de 396,2 km, em média, para 485,5 km. A Maplink monitora todas as vias da cidade. Seu método é usado por outras empresas no mundo que medem o trânsito. A análise da CET, que observou queda, é feita a partir de contagem visual, apenas nos principais corredores.


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