Haddad considera 'lamentável' ação da Polícia Civil na Cracolândia

Prefeito disse que secretário municipal de segurança urbana presenciou e foi vítima de 'ação não pactuada'

Artur Rodrigues, O Estado de S. Paulo

23 de janeiro de 2014 | 20h09

SÃO PAULO - Em coletiva na tarde desta quinta-feira, o prefeito Fernando Haddad (PT), classificou a ação da Polícia Civil na Cracolândia como "lamentável". "Todas as ações têm sido pactuadas. Essa ação não foi pactuada com o governo municipal. Se tivéssemos tomado conhecimento, não concordaríamos com a maneira como foi procedido", afirmou.

De acordo com Haddad, o secretário municipal de segurança urbana, Roberto Porto "não só presenciou como foi vítima de uma ação repressiva e não pactuada", disse. "Os agentes do município estão sendo convocados, porque estão em choque com o que aconteceu". O prefeito ainda afirmou que ligou para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para expor a situação.

Repressão. Na tarde desta quinta-feira, policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil, fizeram uma operação nesta quinta-feira, 23, sem comunicar a Prefeitura nem a Polícia Militar, na Cracolândia, região central de São Paulo, palco da Operação Braços Abertos, aposta do prefeito Fernando Haddad para reabilitar os dependentes de crack.

Por volta de 16h, cerca de dez viaturas cercaram os dependentes de crack que não estão inseridos no programa assistencial e estavam concentrados na Rua Barão de Piracicaba. Os policiais civis atiraram balas de borracha e jogaram diversas bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo na multidão, que correu a esmo e revidou jogando pedras. O quarteirão estava lotado de dependentes.

Agentes da Secretaria de Saúde e de Assistência Social, que também não sabiam da ação, ficaram no fogo cruzado. A ação ocorreu pouco tempo depois de policiais civis à paisana terem feito uma prisão de um dependente no local. Nesta primeira ação, uma dependente acabou ferida na cabeça com bala de borracha.

Investigação. O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Júlio Cesar Fernandes Neves, abriu um procedimento para investigar a ação de policiais civis do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) na região da Cracolândia, centro da capital, na tarde desta quinta-feira, 23.

Tudo o que sabemos sobre:
cracolândia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.