Secom/Prefeitura/Divulgação
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Haddad compara ciclistas a sem-terra

Prefeito diz que fazer ciclovia é decisão política ‘como fazer reforma agrária’ e critica ação do MPE: ‘Ir preso por fazer terminal será uma honra'

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2016 | 03h00

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou ontem que ciclista é “uma espécie de sem-terra, que está pedindo uma reforma agrária na cidade”. O prefeito acrescentou, em seguida, que ciclista “era” sem-terra, mas “graças a Deus, não é mais”. Ele falou durante a abertura do Bicicultura 2016, evento de cicloativistas que segue até domingo na capital.

“Do mesmo jeito que o latifúndio improdutivo produz miséria, fome, exclusão, nosso sistema viário era um latifúndio improdutivo, que produzia morte e exclusão da mesma maneira”, disse Haddad. Segundo ele, a decisão de um gestor pela construção de ciclovias é política. “É uma decisão política de dizer: ‘vou fazer a reforma viária do mesmo jeito que fizeram a reforma agrária’.”

Haddad afirmou ainda que há “uma vantagem da reforma viária em relação à agrária” do ponto de vista do conflito. “Você não está retirando propriedade de um para dar para outro. Porque, no mesmo dia, você pode ser pedestre, ciclista, usuário de transporte individual motorizado e usuário do transporte público.”

A meta fixada pela Prefeitura, de construir 400 km de ciclovias em 2015, não foi cumprida, conforme informou o Estado em janeiro.

Multas. No mesmo evento, Haddad disse que São Paulo está “brigando” para cumprir o Plano Nacional de Mobilidade Urbana, em referência aos questionamentos que o Ministério Público Estadual (MPE) tem feito em relação ao que chama de “indústria da multa” na capital.

Os promotores Marcelo Milani, Nelson Sampaio de Andrade, Wilson Ricardo Tafner e Otávio Ferreira Garcia, que assinam a ação, questionam o uso de recurso das multas de trânsito em investimentos no sistema de transporte público. Na semana passada, a Justiça acolheu denúncia do MPE e Haddad, além dos secretários Jilmar Tatto, de Transportes, e Marcos Cruz e Rogério Ceron, ex e atual titulares de Finanças, viraram réus.

“É curioso que, no caso de São Paulo, estamos lutando na Justiça para cumprir a lei federal. Estamos todos sendo processados por improbidade administrativa. Eu, Tatto e o secretário de Finanças. Por quê? ‘Usou o dinheiro de multa para fazer ciclovia. Não pode’. ‘Usou dinheiro de multa para fazer terminal de ônibus. Não está previsto na lei’”, criticou. Haddad ironizou ainda a acusação de improbidade administrativa, que consta da denúncia do MPE: “Improbidade administrativa? Neste País, você ser preso por fazer terminal de ônibus vai ser uma honra no meu caso”.

As receitas com multas na capital subiram de R$ 1,009 bilhão, em 2013, para R$ 1,052 bilhão, no ano passado, em números atualizados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de acordo com dados divulgados anteontem pela Prefeitura. O valor só é menor do que o arrecadado em 2012, último ano da gestão Gilberto Kassab (PSD), com R$ 1,085 bilhão.

Evento. O Bicicultura teve 573 inscritos e, até o próximo domingo, oferece mais de 160 atividades, entre bicicletadas noturnas, mostras de vídeo e fotografia, além de palestras, painéis e food bikes no centro da capital. O evento reuniu participantes de 18 Estados.

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