Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Haddad avalia pedir mais prazo para tirar táxis dos corredores de ônibus

O Ministério Público havia estabelecido em dezembro que veículos deveria deixar as vias exclusivas em 45 dias

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

13 de janeiro de 2014 | 12h23

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) disse nesta segunda-feira, 13, que pode pedir ao Ministério Público Estadual (MPE) o adiamento do prazo para a remoção dos táxis dos corredores de ônibus da capital paulista. Em 17 de dezembro, a Promotoria havia estipulado que em 45 dias a Prefeitura deveria tirar esses veículos das vias exclusivas dos coletivos. O período vence no início de fevereiro. Se o governo municipal desobedecer, fica sujeito a uma ação civil pública.

Na quarta-feira, 15, o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, apresentará à Comissão Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT), a qual preside, uma pesquisa feita pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) que mostra que a velocidade dos ônibus nos corredores pode aumentar 25% caso os táxis sejam proibidos de circular nessas vias. Ou seja, os táxis atrapalham o transporte público em São Paulo.

Mas Haddad afirmou que o assunto ainda precisa ser debatido pela sociedade. "Não tem nada pré-definido ainda, até porque seria um desrespeito levar uma decisão pronta para um conselho que está sendo chamado a se manifestar sobre o que pensa. Então, nós estamos levando os estudos e vamos aguardar uma primeira manifestação para iniciar os debates."

Sobre o prazo do MPE, o prefeito informou que o diálogo com a instituição é bom. "Podemos firmar um outro ponto de vista e, eventualmente, levar ao Ministério Público uma consideração de prazo, de modulação da decisão. E, para isso, a gente quer ouvir um pouco mais a sociedade. Duvido que o Ministério Público esteja contra a iniciativa de ouvir mais os conselhos da cidade, para chegarmos à melhor decisão possível."

Levantamento. O estudo feito pela Prefeitura para analisar o impacto dos táxis nos corredores de ônibus de São Paulo sugere que só os coletivos poderiam usar essas vias. A recomendação é para que se proíba a circulação dos taxistas com passageiros e também de outros veículos à noite e nos fins de semana - permissões que vigoram atualmente.

A gestão Fernando Haddad (PT) encaminhou em dezembro o documento ao promotor de Habitação e Urbanismo Maurício Ribeiro Lopes. Foi ele quem solicitou à Secretaria Municipal dos Transportes a elaboração desse levantamento. A intenção é medir quanto os táxis interferem no desempenho do transporte público nos nove corredores da capital paulista. Depois de analisar o material, o promotor estabeleceu os 45 dias para a remoção dos táxis dos corredores.

Os resultados mostram que os usuários de táxi somam menos de 1% do total de pessoas que utilizam os corredores. "Como resultado, os passageiros de táxi impactam negativamente 99% dos usuários do transporte público coletivo que trafegam nos corredores", diz o estudo.

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