Haddad assume e diz que a dívida de SP é insustentável hoje e no futuro

Prefeito afirma ser necessário levar proposta de renegociação ao Congresso para garantir a capacidade de investimento da capital

O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2013 | 02h05

O 61.ºprefeito de São Paulo, Fernando Haddad, de 49 anos, defendeu ontem no discurso de posse a renegociação da dívida paulistana, para obter recursos para investimento. "Esse acordo não se sustenta e temos de levar ao Congresso uma proposta de repactuação da dívida do Município." Em seguida, destacou outras três prioridades que devem guiar a gestão: o combate à miséria, investimentos em moradia e a melhoria na eficiência dos serviços da saúde e da educação.

O imbróglio financeiro relacionado ao pagamento da dívida municipal obriga a cidade a pagar R$ 4 bilhões por ano à União só de juros. Para poder reduzir as parcelas e usar esse dinheiro em investimentos, Haddad pretende renegociar a dívida, que para ele é "insustentável". A cidade também não deve apenas lutar para mudar o indexador da dívida com a União, mas também buscar parcerias com o Estado, com o governo federal e a iniciativa privada para retomar a capacidade de investimento. "A dívida é de 200% da arrecadação (de R$ 40 bilhões), o que compromete a capacidade de investimento. São Paulo, apesar do orçamento bilionário, perdeu a capacidade de investimentos."

Depois da cerimônia, Haddad falou ainda ao Estado que, com a renegociação da dívida do Município com a União, de 20% a 30% das necessidades de investimentos da capital paulista seriam retomadas. Segundo o prefeito, só com a União, o débito chega a R$ 50 bilhões, o que o levou a negociar diretamente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Já tivemos algumas reuniões e ainda nesta semana teremos um novo encontro", disse, na noite de ontem. "Há uma percepção clara da presidenta (Dilma Rousseff) e do ministro (Mantega) que a situação se tornou insustentável."

Sem a repactuação, Haddad afirmou que vai começar seu governo com os recursos orçamentários de custeio, o que é suficiente para um mês, e com as parcerias dos governos estadual e federal. "Não temos recursos para o que foi divulgado na campanha", concluiu.

Posse. Após a diplomação como prefeito na Câmara, ao lado da vice-prefeita, Nádia Campeão, Haddad dirigiu-se ao prédio da Prefeitura, no Viaduto do Chá, onde cerca de mil convidados o aguardavam para a cerimônia de troca de faixas e para o primeiro discurso oficial. Os 55 vereadores, também diplomados, fizeram a primeira sessão e elegeram a Mesa Diretora. A posse foi transmitida em um telão para cerca de mil pessoas do lado de fora da Prefeitura. /BRUNO PAES MANSO, DAIENE CARDOSO, DIEGO ZANCHETTA, GUSTAVO PORTO, e VITOR HUGO BRANDALISE

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