SECOM
SECOM

Haddad assina projeto que institui política de apoio ao imigrante

Com a lei, diversos projetos e propostas já existentes na cidade devem ser institucionalizados; texto será encaminhado à Câmara

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

31 Março 2016 | 20h34

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) assinou na tarde desta quinta-feira, 31, um projeto de lei que institui uma política pública de apoio ao imigrante em São Paulo. O texto será encaminhado à Câmara. O tom do evento, ocorrido no auditório da Prefeitura, era a preocupação em transformar algumas ações da atual gestão em compromissos do município, seja quem for o sucessor a comandar o Executivo.

Com a lei, diversos projetos e propostas já existentes na cidade devem ser institucionalizados. O documento prevê a criação de cursos de Português e inserção de materiais pedagógicos sobre imigração nas escolas municipais, parcerias com universidades públicas para auxiliar a revalidação de diplomas e até contratação de estrangeiros em equipamentos públicos. Atualmente, São Paulo conta com três unidades do Centro de Referência e Acolhida para o Imigrante (CRAI), nos bairros do Bela Vista, Pari e Penha.

"O gesto que estamos fazendo aqui está à altura da grandeza de São Paulo", afirmou Haddad. "Nossa cidade deve muito aos imigrantes. Foi forjada pelas ondas migratórias que, aqui, criaram um círculo virtuoso."

O prefeito frisou que sua sensibilidade à situação dos imigrantes vem da história pessoal. Seu pai, Khalil Haddad, emigrou do Líbano aos 24 anos em 1947. E ele próprio chegou a morar um ano no Canadá. "Sei como imigrar é um gesto único e tem um significado muito profundo", comentou. Ele acrescentou que em São Paulo estão "os filhos do planeta, de todos os povos".

Em 22 artigos, o texto assinado por Haddad estabelece objetivos, diretrizes e princípios para o atendimento à população imigrante, estabelecendo compromissos de cada secretaria municipal. Desde fevereiro, o documento ficou aberto para consulta pública no site da Prefeitura. As sugestões recebidas foram organizadas e sistematizadas na minuta da lei. De acordo com a administração municipal, "a criação desta política municipal garantirá que os direitos sociais da população imigrante sejam promovidos de maneira estrutural dentro do município, com ações coordenadas entre diferentes áreas da Prefeitura".

Naquele que deve ter sido seu último ato público à frente da Secretaria de Direitos Humanos, o ex-senador Eduardo Suplicy fez um emocionado discurso bem ao seu modo - elogiou o papa Francisco, criticou o pré-candidato à presidência dos Estados Unidos Donald Trump e comentou os atos terroristas em Paris e em Bruxelas. "São Paulo é a cidade dos mil povos", definiu. "Que todos os imigrantes sejam muito bem-vindos à cidade."

Participaram ainda do evento o coordenador de políticas da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, Paulo Iles, e a conselheira imigrante da cidade, Oriana Jara.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.