Haddad anuncia 5 secretários - 3 de Marta

Maioria dos nomes tem perfil técnico e faz parte da 'cota pessoal' do prefeito eleito

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2012 | 02h00

Após anunciar ontem os primeiros secretários de sua "cota pessoal", quase todos de perfil técnico e ligados à Universidade de São Paulo (USP), o prefeito eleito Fernando Haddad (PT) negocia com aliados políticos a composição das pastas mais ricas da Prefeitura. É certo que o PP de Paulo Maluf e o PMDB de Gabriel Chalita vão ocupar postos-chave do primeiro escalão, que pode ainda receber indicação pessoal do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Três dos cinco secretários anunciados ontem trabalharam na gestão Marta Suplicy: Leda Paulani, Luís Fernando Massonetto e Antonio Donato. Completam a lista Fernando de Mello Franco e Marcos Cruz. Os demais nomes devem ser anunciados até o fim de novembro. Segundo Haddad, ainda não está definido o número de secretarias. Ontem, ele falou em 20 a 25. Atualmente, são 27. Por enquanto, é certo que a capital ganhará uma Secretaria Especial da Mulher.

O petista defende um "governo amplo de coalização", baseado em alianças e nomeações de cunho político, trabalhadas até na esfera federal. A posição do PP, por exemplo, será definida pelo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, um dos nomes fortes do partido (leia ao lado). Já o PMDB, que não apenas apoiou, mas fez campanha pró Haddad no segundo turno, exige uma das duas secretarias consideradas estratégicas: Educação ou Saúde. Chalita ainda deve ganhar um ministério.

O PT não assiste a disputa do lado de fora. Representantes do partido pressionam as lideranças para ocuparem ambas as pastas, além da Secretaria dos Transportes, que promete ser uma das vitrines da administração, a partir da implementação do bilhete único mensal. A fila de petistas tem nomes como Jilmar Tatto, Carlos Zarattini (Transportes), Simão Pedro (Educação) e Carlos Neder (Saúde).

"Queremos compor um governo amplo, que dialogue com todos os setores da sociedade. Haverá uma pluralidade obrigatória de perfis em cada pasta", avisou Haddad ontem, em sua primeira manifestação oficial após a criação do governo de transição, há uma semana. "Temos de somar forças para ter expressão política para viabilizar nosso projeto, que é grande. Neste momento, não podemos governar a cidade em um grupo fechado."

A negociação também envolve o apoio da atual base governista da Câmara Municipal. Haddad precisa que o governo federal pague a conta pelo apoio de Kassab a partir do próximo ano. Além de uma secretaria, a sigla do prefeito deve ganhar um ministério em janeiro. Em troca, os oito vereadores do PSD devem votar com o futuro governo.

Se confirmada, a costura dará ao PT mais facilidade para eleger o presidente da Câmara, já que o líder de Kassab, Roberto Tripoli (PV), deve abandonar a disputa. Vereador mais eleito da cidade, ele é cotado para assumir a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente e ainda levar outros três parlamentares do partido para a bancada governista.

Coronéis. Sem mencionar nomes nem fazer críticas à atual gestão, Haddad confirmou ontem que todos os 30 coronéis que atuam como subprefeitos deixarão a Prefeitura. "Teremos um novo quadro para reforçar a descentralização do governo." As indicações, que deverão ser políticas, também já provocam disputas, principalmente entre vereadores da base.

O prefeito eleito também se reuniu ontem na sede do governo de transição, no centro, com parte da bancada de deputados do PT no Congresso. E ouviu sugestões caseiras.

Já o PCdoB só falta definir a indicação do partido para a pasta de Esportes, que também será responsável pela organização da Copa do Mundo de 2014. Entre os próprios comunistas, o nome do ex-ministro Orlando Silva - que não conseguiu se eleger vereador e deixou o governo Dilma Rousseff após denúncias de corrupção - foi descartado. Por enquanto, a vice-prefeita eleita Nádia Campeão segue como a representante mais cotada ao cargo. / COLABOROU ADRIANA FERRAZ

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