Haddad afirma que não cederá a ocupações para garantir habitação

Prefeitura deverá ainda entrar com pedido de reintegração de posse em caso de invasão de terrenos públicos

Artur Rodrigues e Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2013 | 02h12

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta terça-feira, 10, que não cederá a ocupações de terrenos para garantir vagas na área de habitação. Ele disse também que entrará com pedido de reintegração de posse em caso de ocupação de terrenos públicos.

"Tem a lei para ser cumprida, não é essa a maneira de resolver", afirmou Haddad. De acordo com ele, outros critérios serão levados em conta para escolher as pessoas que vão morar nas 55 mil unidades prometidas para o mandato.

"Não vamos garantir lugar na fila para quem ocupa as áreas públicas. O lugar é decidido com o movimento organizado, com a população que já está no cadastro do programa Bolsa-aluguel, que foi removida de área de risco", disse.

O prefeito teve reunião com representantes de movimentos de moradia na tarde de ontem. "Nós tratamos com todo o respeito o movimento de moradia e estamos deflagrando um processo. Só em agosto foi autorizada a construção de 4 mil habitações de interesse social", disse.

Os movimentos cobram o poder de indicar 20 mil das 55 mil moradias prometidas. A última invasão foi no domingo, com 200 pessoas num edifício da Rua Vitória, no centro.

Reintegração. Na manhã desta terça-feira, uma reintegração de posse em um prédio na Rua 21 de Abril, na Mooca, zona leste de São Paulo, foi suspensa por 60 dias.

A Polícia Militar iniciou a operação às 6h30. Segundo a polícia, havia no local cerca de 300 pessoas - 100 delas se recusavam a sair. A propriedade tem 3.590 metros quadrados e vale R$ 15 milhões, com rendimentos de aluguel mensal de R$ 100 mil, de acordo com avaliações no processo.

As negociações ocorreram de forma pacífica, ainda segundo a PM. Às 13h30, os soldados receberam a ordem de interromper a reintegração. A ocupação não é vinculada a nenhum movimento organizado pró-moradia, segundo líderes comunitários. No entanto, as famílias foram assistidas pelo Movimento Moradia da Cidade de São Paulo.

Representantes da Defensoria Pública do Estado (DPE) e da Secretaria Municipal de Assistência Social foram até o edifício, situado na altura do número 300.

Segundo ativistas que acompanharam a processo de remoção, um defensor público foi até o fórum onde tramita ação de reintegração de posse para cancelar a liminar que determinou a saída dos moradores. A ação, segundo eles, foi proposta pelo proprietário do imóvel, um industrial búlgaro com residência em Miami, nos Estados Unidos.

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