Hacker é detido em SP e autuado por extorsão

Depois de obter informações confidencias de um banco de investimento, homem exigia US$ 500 mil para não desviar US$ 2 milhões

Ricardo Valota, do estadão.com.br

06 de junho de 2010 | 21h29

SÃO PAULO - Agentes da Delegacia de Repressão a Delitos Cometidos por Meios Eletrônicos do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), prenderam e autuaram, na última quinta-feira, 3, por extorsão, o comerciante João Sperandio Neto, de 24 anos, considerado um dos principais invasores de redes de dados do Brasil.

 

Depois de obter informações confidencias de um banco de investimento, começava a exigir US$ 500 mil para não desviar US$ 2 milhões. A prisão do hacker ocorreu na sede da empresa, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo. Neto admitiu a invasão, mas alegou que a realizou com o objetivo de conseguir emprego na instituição.

 

A prisão de Neto foi mantida em sigilo até este domingo, 6, pela Polícia Civil para não atrapalhar uma possível prisão de outras eventuais pessoas ligadas ao mesmo esquema. O criminoso era monitorado desde o dia 1 de junho quando integrantes do setor de segurança do banco revelaram a ação.

 

Os funcionários explicaram que a instituição passou a receber e-mails onde estavam relacionadas informações sobre senhas de diretores e extratos das movimentações de correntistas. Quem enviava os dados alegava ter a solução para o problema. A proposta era vender um projeto de segurança. O texto era assinado por John.

 

Para tornar ainda mais intrigante a situação, o telefone celular fornecido para contato foi comprado utilizando informações pessoais de um dos diretores do banco. Outro e-mail, enviado por uma conta diferente, no mesmo dia, prometia desviar US$ 2 milhões das contas. Para evitar, a direção deveria pagar 25% desse valor. O remetente identificou-se como Lino.

 

Os policiais agiram durante um encontro entre o autor do e-mail e da invasão e representantes da instituição financeira. A equipe identificou Neto logo na abordagem. Os investigadores conheciam o comerciante devido a outras ações de invasão a redes bancárias.

 

Neto admitiu a invasão e obtenção dos dados do banco. Mas negou ser ou conhecer Lino. Seu único intuito era demonstrar a fragilidade do sistema e oferecer uma solução eficiente, mesmo que para isso tenha utilizado meios ilícitos. Também confessou ter comprado o chip utilizando números de documentos do diretor da empresa.

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