'Habilidades devem estar no centro do processo de educação'

O historiador David Nicoll foi responsável por um projeto britânico de escolas que integra as competências socioemocionais ao conteúdo das aulas. Hoje ele faz parte de dois grupos ministeriais de trabalho no Reino Unido, um focado em reformas na educação pós-2016 e outro em iniciativas privadas nas escolas. Ao Estado, ele falou sobre a importância das habilidades não cognitivas no aprendizado e mostrou como algumas escolas estão usando esse modelo na sala de aula.

Entrevista com

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S.Paulo

24 Março 2014 | 02h05

Como podemos medir uma boa educação?

Poderíamos olhar para os níveis salariais das pessoas, padrões de emprego, ao envolvimento com o sistema de Justiça criminal, e uma série de outros fatores. Isso nos daria uma melhor indicação do sucesso do sistema do que as coisas que normalmente medimos, que são geralmente os resultados dos exames.

O sistema de notas é uma forma ruim de medir a educação?

Os resultados dos exames são um indicador útil de conhecimento e nós somos muito a favor de que eles sejam um elemento importante do sistema. Em alguns aspectos, o problema é que o debate sobre a importância de habilidades cognitivas e não cognitivas tem sido falsamente caracterizado como capacidades versus conhecimento.

É possível melhorar as habilidades não cognitivas das crianças nas escolas? Como?

Absolutamente. Em algumas escolas da Inglaterra temos um quadro de habilidades não cognitivas, que são colocadas exatamente no centro do processo de aprendizagem. Melhoras são mapeadas e esforços são feitos para promover essas habilidades. Um exemplo pode ser um projeto em que a escola está encarregada de realizar uma pesquisa de saúde na comunidade local (por exemplo, sobre fatores que levam à alta incidência de diabete). Um projeto como esse permite que a escola cubra elementos do currículo formal, mas também habilidades não cognitivas, como negociação, comunicação e capacidade de resistência.

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