Marcelo Fernandes de Carvalho
Marcelo Fernandes de Carvalho

Habib's afasta funcionários investigados por agredir menino

João Victor, de 13 anos, teve um enfarte; polícia investiga se agressões causaram a morte

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

03 Março 2017 | 20h15

SÃO PAULO - O Habib's anunciou o afastamento de dois funcionários investigados pela polícia por agredir o adolescente João Victor Souza de Carvalho, de 13 anos, que morreu na noite de domingo, 26, perto da unidade da Avenida Itaberaba, na Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte. A decisão aconteceu após a divulgação de imagens de câmeras de segurança que mostram o garoto desacordado, sendo arrastado e jogado no chão. A investigação apura se o menino morreu por causa das agressões.

As investigações estão no 28º DP (Freguesia do Ó). Os policiais já não têm mais dúvidas de que João Victor foi agredido e de que a versão apresentada por um gerente e um supervisor da unidade do Habib's não são verdadeiras. Eles afirmaram que o menino estava com um pedaço de pau ameaçando clientes e correu após ser repreendido. 

Durante a fuga, teve um mal súbito e foi socorrido. Porém, uma catadora de material reciclável disse que viu João Victor ser agredido pelo segurança, "um homem forte, gordo, moreno com uniforme do Habib's", e desmaiar em seguida. Segundo ela disse à polícia, o homem segurou o garoto pela gola da camisa e deu um soco na cabeça dele.

Ela também conta que presenciou outro funcionário do Habib's "alto e magro" puxar o adolescente pelos braços com o primeiro agressor e, juntos, seguiram de volta para a lanchonete. Segundo a polícia, o depoimento dela condiz com as imagens das câmeras e outra testemunha que afirma ter visto as agressões deve prestar depoimento no começo da semana que vem. Os pais de João Victor contaram que ele costumava pedir moedas para clientes do Habib's, contra a vontade deles, e nunca se envolveu em agressões ou crimes.

Em nota, o Habib's diz que "diante das imagens divulgadas pela imprensa, comunica que decidiu afastar os colaboradores envolvidos até que tudo seja elucidado. Mais do que qualquer direcionamento corporativo, esta é uma questão de princípio humano. A empresa esclarece que repudia todo e qualquer ato de violência física ou moral realizada por qualquer pessoa, por qualquer que seja o motivo e está bastante abalada com tudo o que ocorreu. O Habib's, por meio de seus representantes, informa que manterá contato com a família no intuito de auxiliar no que for possível."

Na certidão de óbito, consta que João Victor morreu de enfarte. Porém, o laudo necroscópico do Instituto Médico-Legal (IML) vai esclarecer se a morte ocorreu por causa das agressões. O documento deve ficar pronto em até 30 dias.

 

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