'Há um defeito, não um erro de pilotos', diz expert

Perito de segurança aérea, Marnet-Cornus publicou ontem relatório em resposta ao BEA; falha teria provocado erro

Andrei Netto, Nataly Costa, William Cardoso e Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2011 | 00h00

Atravessar uma forte tempestade na zona de convergência intertropical pode ter sido a primeira de uma série de possíveis falhas que levaram o voo 447 a interromper sua trajetória no meio do Oceano Atlântico. Uma vez dentro dos cúmulos-nimbos, os instrumentos de leitura não foram eficientes para dar informações precisas à tripulação.

Dois experts independentes ouvidos pelo Estado ontem reafirmaram que, independentemente da reação dos pilotos, a falha original é mecânica. "Na origem não há um erro de pilotos, mas um defeito em um equipamento do Airbus A-330, de modelo Thales AA, que equipava o modelo acidentado", afirmou Henri Marnet-Cornus. Perito de segurança aérea e um dos autores de uma investigação paralela sobre o voo AF-447, Marnet-Cornus escreveu há um ano um relatório de 600 páginas, no qual apontou o defeito das sondas e a sobrecarga de trabalho dos pilotos.

Para o expert, que ontem publicou em conjunto com outro consultor, Gérard Arnoux, um contrarrelatório em resposta ao BEA, as circunstâncias da falha devem ter induzido os pilotos ao erro. "Às 2h10min05s, há uma sucessão sem interrupção de alarmes visuais e sonoros. O copiloto parece controlar com dificuldade o avião." Outro crítico é o professor do Departamento de Engenharia de Transportes da UFRJ Respício Espírito Santo, que chama atenção para o fato de que o relatório registra procedimentos às 2h08min07seg e depois às 2h10min05seg. "O que aconteceu nesse período de dois minutos? Os pilotos não podem ter ficado mudos nesse tempo."

Ventos. Segundo um piloto brasileiro ouvido pelo Estado, a atmosfera dentro de um cúmulo-nimbo é confusa, com rajadas de vento de mais de 400 km/h, o que pode ter tornado inúteis as sondas pitots. "Com vento para todo lado, pode-se fazer o piloto ter uma leitura errada. É difícil sair dessa situação."

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