'Há turmas que estão esfaceladas'

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) deverá erguer um memorial em homenagem aos alunos mortos na tragédia da boate Kiss, disse o reitor Felipe Martins Müller, de 46 anos. Segundo ele, o projeto está "quase configurado". Falta definir se o local terá indicação dos nomes das vítimas. Müller soube do incidente na madrugada do domingo, por pessoas que lhe telefonaram. Ontem, ele esteve no velório coletivo no Centro Desportivo. "Levamos palavras de conforto aos pais das vítimas. Eles perderam suas maiores riquezas."

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2013 | 02h04

Existe a intenção de construir um memorial no câmpus?

Vamos estabelecer algumas ações com professores e demais servidores para homenagear as vítimas e minimizar a dor das famílias. Pode ser com a construção de um memorial, um espaço de oração e contemplação. Tragédias como essa não podem voltar a acontecer.

Como o senhor vê a perda de dezenas de alunos?

Nossa maior riqueza se esvai. Uma situação dessa magnitude inverte a ordem natural das coisas, quando morrem jovens no começo da vida profissional ou que acabaram de ingressar em uma universidade pública após seleção extremamente difícil. Temos de fazer um trabalho muito importante para respaldar e dar tranquilidade ao retorno dos que ficaram.

A universidade planeja oferecer apoio psicológico aos alunos na volta às aulas?

O pessoal de Psicologia e Serviço Social vai fazer um trabalho conjunto na semana que vem para auxiliar os estudantes, com prioridade para as turmas que perderam mais pessoas e estão mais vulneráveis. Algumas turmas estão esfaceladas. Docentes e servidores também vão receber suporte. Teremos reuniões diárias para nos prepararmos para o retorno das atividades. Já marcamos um grande culto ecumênico segunda-feira.

Existia espaço de entidades estudantis no câmpus com estrutura melhor que a da boate?

O Diretório Central dos Estudantes tem uma área onde eles mantêm uma boate que atualmente está passando por reformas para se adequar às exigências de isolamento acústico e do Corpo de Bombeiros. O local não funciona desde o ano passado e tem várias portas de acesso. O consumo é pago à vista. Mas não cabe agora nós analisarmos isso. / C.L.

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