Há relação nos ataques de Osasco, diz polícia

Para delegado, um ou dois grupos participaram dos oito assassinatos na madrugada desta quinta-feira

Felipe Tau e Gheissa Lessa, estadão.com.br

12 Julho 2012 | 17h26

São Paulo, 12 - A polícia acredita que os seis ataques que mataram oito homens e deixaram dois feridos na madrugada desta quinta-feira, 12, têm relação e tenham sido planejados pelos mesmos autores. As informações são do delegado seccional de Osasco, Mauro Guimarães Soares, que falou com a imprensa na tarde desta quinta-feira em entrevista coletiva e afirmou que foram 10 pessoas atingidas pelos disparos.

"A gente presume que sejam os mesmos autores (dos crimes), pelo horário em que eles aconteceram, além da proximidade entre os bairros e pelo modus operandi. Seria um ou dois grupos em combinação", disse o delegado Soares.

Segundo ele, testemunhas e vítimas informaram se tratar de um grupo com seis pessoas. "Tudo indica que seis pessoas usavam um carro popular vermelho ou vinho e uma motocicleta de grande cilindrada." A informação foi dada à polícia pelas vítimas que sobreviveram aos ataques. Algumas testemunhas teriam visto um integrante a pé - a polícia acredita que o suspeito seria o garupa da motocicleta.

Apesar da suspeita de que os crimes tenham relação, o delegado não afirma que as mortes foram encomendadas. Para Soares, "as vitimas poderiam nem conhecer os autores e os autores não conheciam as vitimas".

Inicialmente, a Polícia Militar informou que as pessoas baleadas eram torcedores do Palmeiras e que estariam comemorando o título do time na Copa do Brasil, conquistado na noite de quarta-feira, 11. Pela manhã, a corporação divulgou nota corrigindo a informação, informando que "em nenhuma das ocorrências havia torcedores do Palmeiras". 

Agentes da Delegacia Seccional de Osasco, porém, informaram que uma das vítimas baleadas usava camisa do Palmeiras no momento dos crimes. Segundo a Polícia Civil, a maior parte dos homicídios parece ter acontecido em frente a bares e pontos de venda de drogas. Ainda assim, o delegado não descartou a hipótese de briga de torcida.

Investigação. Os seis ataques aconteceram entre às 1h36 e 4h20 da madrugada, em bairros de Osasco, na zona norte da capital paulista. Segundo Mauro Guimarães Soares, o tempo para percorrer todos os bairros - Jardim Rochdale, Jardim Munhoz Junior, Jardim Canaã e Jardim Mutinga - não é maior do que 5 minutos. A proximidade entre os locais dos disparos reforça a suspeita de um mesmo grupo ter efetuado os ataques.

Dos 10 homens baleados, 5 tinham passagem pela polícia e a maioria, segundo depoimentos, usava drogas. 

A polícia  afirma que foram usadas pistolas calibre 380 e .45.  Soares não descarta o uso de outras armas e aguarda o laudo da perícia. Um dos mortos recebeu 12 disparos.

Envolvimento com drogas. Em entrevista ao estadão.com.br, Rosana Cardoso de Godoy, de 25 anos, irmã de Robson Cardoso de Godoy, de 22, um dos mortos, diz que o irmão, torcedor do São Paulo, era usuário de drogas há cerca de cinco anos. Ele foi assassinado na Rua Cuiabá em um dos seis ataques.

Segundo Rosana, o irmão saiu de casa por volta das 19h e disse que iria se encontrar com alguns amigos. Abalada ela afirma que ele não se importava com jogos de futebol.

"Ele era usuário de cocaína, mas nunca fez mal a ninguém", diz a irmã. De acordo com ela, Robson chegou a ser internado em uma clínica de recuperação de dependentes químicos, de onde saiu há três anos.

"Pensávamos que ele tinha se recuperado, ele se casou e até frequentava a igreja com sua esposa", diz. Mas, com a separação, ele voltou a usar a cocaína. "As pessoas falam que um homem chegou em uma moto e já atirou direto nele, os amigos dele pensaram até que fosse um conhecido, porque chegou só nele. Só depois que ficamos sabendo que mataram mais pessoas no mesmo lugar e em outros também", diz Rosana.

 

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