'Há perspectiva de punição'

Temos mais de 70 sindicâncias’, afirma controlador, que destaca o fato de se profissionalizar o serviço público

Entrevista com

Mário Spinelli, controlador-geral do Município

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2014 | 17h37

Passado um ano da descoberta da Máfia do ISS, o que mudou?

Com melhoria nos processos e na legislação, as oportunidades de corrupção diminuíram. Agora, há perspectiva de punição. Para o servidor propenso (à corrupção), uma coisa é saber que existe a oportunidade (de praticar algo ilícito) e que nada vai acontecer. Outra coisa é a oportunidade ser reduzida e haver temor de ser penalizado. É uma mudança institucional muito grande.

O servidor da CPI dos Alvarás já era investigado?

Temos uma matriz de risco, que considera uma série de fatores. Se um servidor apresenta algum indício mais claro, instauramos sindicância, que depois pode se tornar processo disciplinar. Temos mais de 70 sindicâncias em andamento.

Parte da Câmara se mostra resistente ao projeto que incrementa a Controladoria. Como o senhor vê isso?

Tenho a confiança de que os nossos vereadores estão cientes da importância dessa medida para a sociedade de São Paulo. A Controladoria, ainda no primeiro ano, se estruturando, trouxe resultados importantes. Economia de recursos, seja melhorando a gestão, seja aprimorando a transparência, aumentando a receita e, principalmente, reduzindo a corrupção. Esse trabalho não pode parar.

Vereadores dizem que a medida criaria mais custos para a Prefeitura. O senhor concorda?

A carreira cria auditores concursados, que vão nos permitir, por exemplo, fazer auditoria nas grandes obras do Município, trabalhos na área de tecnologia da informação, análise patrimonial, promoção da transparência. Não é nada demais ter cem servidores. É um número tímido se a gente compara com outras controladorias. O Distrito Federal, com orçamento menor, tem 200. Nessa discussão de criação de uma carreira, algumas falácias são ditas a respeito, como o aumento do número de cargos. Não estamos criando cargos comissionados. Estamos criando uma carreira. É a profissionalização do serviço público. E o nosso trabalho traz retorno.

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