Há novidades. Haiti aparece pela 1ª vez e lista só tem 4 da Cúria

Nenhuma surpresa na nomeação de d. Orani João Tempesta, porque a arquidiocese é tradicional sede cardinalícia. Inesperado foi o fato de outro brasileiro, o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, d. Murilo Krieger, de 70 anos, não ter entrado na lista, pois Salvador, a diocese mais antiga do País, também é sede cardinalícia. O fato de ser tradicionalmente governada por um cardeal não significa, porém, uma regra que o papa tenha de obedecer. Aliás, o papa não tem de obedecer nada neste particular - a escolha é dele.

ANÁLISE: José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2014 | 02h03

O critério de Francisco parece ter sido o de incluir representantes de todos os continentes no preenchimento das vagas existentes, para recompor o quadro de 120 cardeais eleitores. Com a nomeação de 16 cardeais com direito a votar, o papa refaz o colégio cardinalício. Havia, até ontem, 13 vagas e outras três surgirão até maio - o que significa que, com os 16 nomes anunciados, o quadro ficará completo. Nele não entram os três octogenários, não eleitores arcebispos eméritos homenageados pelo papa.

A relação dos escolhidos de Francisco tem algumas novidades interessantes, como a nomeação de um haitiano, d. Chibly Langrois, de 55 anos, bispo de Les Cayes. Ele é o mais moço dos novos cardeais e ocupa uma diocese do interior, não a arquidiocese da capital, Porto Príncipe. O Haiti tem apenas dez dioceses e é a primeira vez que ganha um cardeal. Langrois é um dos cinco representantes da América Latina na relação. Os outros são os arcebispos de Buenos Aires, Santiago do Chile, Manágua e Rio. Dos 16 nomeados, 4 são da Cúria Romana, entre eles d. Lorenzo Baldisseri, secretário do Sínodo dos Bispos e ex-núncio apostólico no Brasil. Outros dois foram núncios na América Latina (Venezuela e Colômbia).

Emocionante foi a inclusão de d. Loris Francesco Capovilla, de 98 anos, que em 1988 renunciou à Arquidiocese de Loreto e foi morar em Sotto Il Monte, na região de Bergamo, a cidadezinha natal do papa João XXIII, de quem foi secretário particular. No fim do ano passado, Francisco telefonou a Capovilla e o convidou a visitá-lo em Roma. O arcebispo emérito (aposentado) prometeu ir para a canonização de João XXIII e João Paulo II, em 27de abril. Agora, terá de viajar antes.

D. Capovilla e outros dois nomeados - d. Fernando Sebastián Aguilar, arcebispo emérito de Pamplona, e d. Kelvin Edward Felix, emérito de Castries, capital de Santa Lúcia, nas Antilhas - recebem o título pelos serviços prestados à Igreja. Como têm mais de 80 anos, não são mais eleitores no conclave para a eleição do papa. Mas poderão ser bons conselheiros de Francisco. O papa argentino costuma resolver muita coisa pelo telefone.

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