'Há motoristas que não sabem dividir o espaço'

São duas as explicações de quem anda de bicicleta para o grande número de acidentes na Paulista: o despreparo da via e a falta de respeito do motorista. "Há quem não saiba dividir o espaço da rua com bicicleta. Acham que o ciclista não deveria estar ali e se revoltam, jogam o carro perto", diz o cicloativista William Cruz, um dos coordenadores do site Vá de Bike!

O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2012 | 03h03

E a topografia também tem de ser considerada. "A Paulista é plana, a melhor rua daquela região toda. Não dá para andar na Alameda Santos, por exemplo. Por isso, deveria ser encontrada alguma solução para manter as bicicletas ali", afirma o ilustrador Lauro Saviano, de 31 anos, morador da Vila Buarque.

Sapopemba. Quem pedala na região mais violenta para ciclistas na cidade, a zona leste, relata o mesmo desrespeito. Não é difícil, por exemplo, ouvir histórias sobre acidentes de trânsito entre os que usam a bicicleta para trabalhar, tentando reduzir gastos com transporte.

O guarda noturno José Gilson, de 41 anos, por exemplo, trabalha e mora em Sapopemba. Há cerca de dez anos, todos os dias pedala cerca de 15 minutos para chegar à loja de construção na qual trabalha. E já notou que o percurso é perigoso. "Aqui ninguém quer nem saber, eles querem é passar por cima. Uma vez, um carro me fechou de um jeito que eu tive de me jogar no chão para ele não me atropelar. O carro desviou e saiu rapidinho, porque viu que estava errado."

Nos fins de semana, ele costuma ir a São Mateus, também na zona leste, para visitar familiares. E diz ter reparado que os motoristas respeitam mais os ciclistas naquela região.

Já o metalúrgico Antonio Rufino Mergulhão, de 50 anos, mora em Sapopemba e trabalha na Água Rasa, na zona oeste. Há dez anos, usa a bicicleta para ir e voltar do trabalho e já chegou a sofrer uma queda. "Uma perua escolar bateu na minha traseira e me jogou longe. Tive sorte de não me machucar", conta. "Acho que o que falta aqui é ciclovia. Os motoristas não nos respeitam. Nós temos de parar ou subir na calçada. Caso contrário, eles passam por cima." /CAMILLA BRUNELLI e BRUNO RIBEIRO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.