JF Diório/Estadão
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Há campanha 'sórdida' contra modernização de SP, diz Haddad

Ao se referir a ciclovias e faixas exclusivas para ônibus, prefeito afirma que transporte público e não motorizado são prioridade

O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2015 | 10h26

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou nesta sexta-feira, 13, em entrevista à Rádio Estadão, que há uma campanha "sórdida" contra a modernização da cidade de São Paulo. Ele se referia a reclamações feitas sobre projetos que vem desenvolvendo na área de mobilidade urbana na capital paulista, como as faixas exclusivas para os ônibus e as ciclovias. O petista também criticou a mentalidade rodoviarista, que levou a obras como a ampliação da Marginal do Tietê, feita pelo ex-governador, e ex-oponente na campanha pela Prefeitura, José Serra (PSDB).

"A gente fica falando do túnel não sei de onde, do viaduto não sei de onde. Está tudo errado. O certo é investir no transporte público e no transporte individual não motorizado. E o que me espanta é que pessoas esclarecidas, que viajam para o exterior, não compreendem que temos que mudar o paradigma. A cidade não vai funcionar mais como funcionava antigamente. Esse mundo acabou", disse Haddad.

Ele prometeu ainda entregar 400 quilômetros de ciclovias até o fim deste ano em todos os distritos da cidade e que as próximas obras de ciclovias serão mais complexas de executar.

"Não é simples fazer o projeto, contratar projetista, planejar a obra. As próximas obras são mais complexas do que as primeiras, porque exigem obra de guia e sarjeta. Era muito fácil se fosse só passar uma tinta, mas tenho adequações geométricas para fazer no piso para comportar o espaço de uma ciclovia", declarou na entrevista.

Haddad rebateu ainda a crítica feita por alguns motoristas de que as ciclovias aparentam estar sempre vazias e pouco usadas.  

"Tem calçada que não é usada. Tem rua que não é usada. Por que esse preconceito contra a ciclovia? Não está pronta a malha cicloviária. Você não tem as conexões ainda necessárias para as pessoas planejarem o seu trajeto. É a mesma coisa que aconteceu com as faixas de ônibus. Antes de ficar pronto o projeto, todo o mundo só falava mal", disse o prefeito.

Ouça a entrevista do prefeito Fernando Haddad à 'Rádio Estadão':

"Hoje, ninguém mais fala mal porque os 360 quilômetros de faixas de ônibus permitiram um aumento de velocidade de 46% do ônibus. Pode perguntar para o usuário se ele não ganhou 20 minutos, 30 minutos, uma hora por dia, em função das faixas de ônibus. Agora, tem uma campanha, que eu acho sórdida, contra o projeto de modernização da cidade, pelo qual passaram Buenos Aires, Nova York, Frankfurt, São Francisco. Vamos dar marcha a ré na cidade de São Paulo? Vamos voltar a asfaltar a cidade, fazer faixa de rolamento para carro, acabar com a área verde da Marginal? Foi um erro o que foi feito nesta cidade. Fazer túnel, viaduto, asfaltar a Marginal, tirar a área verde, isso foi errado. Agora que nós estamos procurando corrigir, fazendo faixa exclusiva de ônibus, investir em metrô, investir em ciclovia, fica essa campanha retrógrada. Nós vamos nos arrepender desse tipo de campanha contra a cidade."

Sobre as ciclovias, Haddad falou que leva um tempo até que mais pessoas passem a andar de bicicleta por cidades que receberam malhas ciclísticas, citando o exemplo de Bruxelas, na Bélgica, e São Francisco, nos Estados Unidos. "Eu falei com o prefeito de Bruxelas, foram anos depois da instalação das ciclovias para mudar de paradigma. Hoje, 20% dos trajetos é feito por bicicleta."

O dirigente comentou ainda a respeito de um trecho de faixa exclusiva de ônibus implantado na Avenida Dona Belmira Marin, na zona sul da cidade, onde, segundo ele, os ônibus que faziam um percurso de cinco quilômetros em uma hora agora vencem o mesmo itinerário em dez minutos. "Como é que alguém pode ser contra uma coisa dessa? Eu não consigo entender essa campanha contra a faixa de ônibus e as ciclovias, quando o mundo inteiro está exatamente fazendo isso."

Marginal. Haddad afirmou que foi um erro investir tanto dinheiro na ampliação do número de pistas da Marginal do Tietê, uma das principais obras viárias da gestão do ex-governador e hoje senador José Serra. 

"Você lembra o custo que a Marginal do Tietê teve (para) fazer duas faixas de rolamento a mais? Gastamos bilhões e ninguém reclamou dos bilhões que foram gastos. E o trânsito hoje na Marginal do Tietê é pior do que antes da obra. Porque está provado cientificamente que quanto mais faixa para carro você faz, piora o trânsito."

O petista também respondeu a questionamento sobre a queda de sua popularidade, assim como a da presidente Dilma Rousseff (PT) e a do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Para ele, em seu caso, a avaliação negativa se deve em função do aumento da tarifa de R$ 3 para R$ 3,50 no dia 6 de janeiro. "O dia mais difícil na vida de um prefeito é ter que reajustar a tarifa em função dos custos do transporte."

Haddad afirmou ainda que avaliará o projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal que permite o transporte de animais de estimação dentro dos ônibus da cidade. Ele disse que analisará exemplos de outras grandes cidades do mundo para tomar a decisão, mas que pode não sancionar, caso os técnicos da Prefeitura o recomendem nesse sentido. "Não tenho nenhum problema em vetar projetos, mesmo que possa contrariar uma parcela da população, se isso for prejudicar a maioria."

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