DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Há 80 anos, um ritmo chamado samba ganhava suas escolas

Primeira agremiação de São Paulo reuniu o povo em véspera de ano-novo; já a Lavapés resistiu à 2ª Guerra e desfila até hoje

Edison Veiga e Cláudio Vieira, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2015 | 03h00

 

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SÃO PAULO - A primeira escola de samba de São Paulo foi a Escola de Samba Primeira de São Paulo. Ficou tão confuso quanto samba-enredo? Vamos escrever de novo: Primeira de São Paulo, criada em 1934 ou 1935 - há divergências entre historiadores -, detém o pioneirismo do uso do termo “escola de samba” por uma agremiação carnavalesca na capital paulista.

Na época, desfiles de samba não eram privilégio do período de carnaval. Conforme o Estado publicou em 8 de dezembro de 1935, estava marcado para o último dia daquele ano “um grande desfile nas ruas, formado por clubes carnavalescos, cordões, blocos e escolas de samba”. Pela Primeira, cerca de 30 foliões compareceram, usando as cores vermelha, preta e branca - as mesmas da bandeira paulista.

Naquele ano, a Prefeitura já havia decidido subvencionar os clubes carnavalescos Cruz Vermelha, Fantoches e Innocentes em Progresso. Em 21 de novembro, o Estado noticiava a intenção de separar no ano seguinte uma avenida, a São João, para o desfile de todos os corsos, ranchos e grupos alegóricos. Na festa que antecedia o ano-novo, em 31 de dezembro daquele ano, registra-se na Praça do Patriarca, região central, o primeiro desfile nas ruas de São Paulo de um grupo que só tocava samba - nada de marchinhas, polcas ou valsas, como em outros casos. Era a Primeira de São Paulo.

Foi o paulistano Elpídio de Faria quem a criou. “Ele foi para o Rio, viu o carnaval que era feito lá e decidiu criar algo semelhante em São Paulo”, conta o geógrafo Alessandro Dozena, professor da UFRN e autor de A Geografia do Samba na Cidade de São Paulo (Editora PoliSaber). Na época já existiam cordões famosos, como o Camisa Verde e Branco, da Barra Funda, e o Vai-Vai, da Bela Vista. Em 1972, ambos virariam escolas.

Remanescente. Em 1937, na Baixada do Glicério, foi criada a Sociedade Recreativa Beneficente Esportiva do Lavapés, a segunda escola de samba da cidade. Deolinda Madre era uma negra pobre, filha de escravos, que vendia limões no centro da cidade. Nos anos 1930, ela e o marido, Francisco Papa, cantavam marchinhas no rádio. Ficaram conhecidos pelos apelidos de Madrinha Eunice e Chico Pinga. Em 1936, em viagem ao Rio, conheceram o universo das escolas de samba cariocas. Deslumbrados, fundaram a Lavapés em fevereiro de 1937.

Quando o Brasil entrou na 2.ª Guerra, em 1942, atividades de lazer foram suspensas. Não podia cordão nem escola. Mas a Lavapés prosseguiu, viveu seu auge e existe até hoje - desfila pelo Grupo 4, a sexta divisão do carnaval de São Paulo.

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