Há 4 anos, população invadiu usina elétrica

Moradores furiosos em Atibaia, com medo de barragem romper, abriram comportas; cidade estava alagada

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2014 | 02h03

Em momento de fúria, cerca de 30 moradores do Parque das Nações, em Atibaia, invadiram, no dia 29 de janeiro de 2010, a hidrelétrica do centro empresarial da cidade e abriram 40 centímetros de uma das duas comportas da barragem, construída no Rio Atibaia. A cidade estava debaixo d'água e famílias desabrigadas culpavam o represamento na usina como um dos vilões dos alagamentos.

Passados quatro anos, a mesma usina tem cenário completamente diferente. No lugar das águas que entravam nas comportas hoje só existe terra e mato. Uma queda d'água de 5 metros de altura dá lugar a um paredão de pedras seco. A usina também não produz mais energia elétrica - as bobinas ficam em uma sala empoeirada sem nenhum operador.

Dentro da usina, duas casas ainda são ocupadas por antigos funcionários. "Aqui não tem mais água nem para nossa luz", brincou Robson Carvalho, de 51 anos, que hoje faz bico de jardineiro. Na época da invasão, ele lembra que moradores usaram cordas para puxar a madeira das comportas da barragem. "Parecia uma guerra, eles estavam loucos, não tinha polícia que pudesse pará-los", lembra o ex-funcionário.

Em guerra. O Estado acompanhou a invasão. Homens e mulheres se organizaram em caminhonetes com tração 4X4 importadas e jipes para chegar ao local.

Seis homens com cordas ajudaram a puxar a madeira da comporta e liberaram uma vazão de 5 metros cúbicos de água por segundo do Rio Atibaia, cuja volume estava represado para produzir energia.

Para os invasores, era o transbordamento da represa da usina que causava os alagamentos no Parque das Nações. "E era a usina mesmo, porque depois que abriram as comportas a água do rio baixou", defende ainda hoje o pescador Moisés Araújo, de 61 anos. 

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